Obras de arte do Palácio das Mangabeiras são localizadas no Palácio da Liberdade
Itens do acervo eram alvo de investigação na ALMG; governo de Minas nega irregularidades na destinação de bens.
Por Redação Diário Local
Pelo menos seis pinturas que faziam parte do acervo do Palácio das Mangabeiras foram localizadas no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte. A identificação foi feita por meio do confronto de fotografias do antigo palácio, datadas de 2012, com o estado atual da sede da administração estadual.
A transferência desses itens integra um grupo de 19 pinturas que foram levadas para o Palácio da Liberdade. Segundo a diretora-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), Luísa Barreto, o conjunto faz parte de um acervo maior de mais de 3.900 objetos pertencentes à antiga residência oficial dos governadores.
O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), órgão vinculado ao governo, confirmou que as 19 obras de arte encontradas no Palácio da Liberdade pertenciam originalmente ao acervo do Mangabeiras. A confirmação ocorreu após o instituto subsidiar parcialmente a apresentação da Codemge na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
A movimentação do acervo é alvo de investigação pela ALMG. Deputados da oposição questionam a transparência no processo de retirada dos bens e levantam suspeitas de possível desvio de patrimônio público.
Onde estão as obras de arte?
Entre as pinturas localizadas em áreas de visitação do Palácio da Liberdade está o biombo “Cenas de garimpo” (1952), de Emiliano Di Cavalcanti, posicionado no hall de entrada. A obra "Santa Ceia" (1959), de Emeric Marcier, está em uma sala no segundo andar, enquanto “Cabeça de Papel” (1965), de Regina Vateri, e “Natureza Morta” (1963), de Inimá de Paula, ocupam salas no terceiro andar.
Outras peças encontram-se em setores de acesso restrito ao público. O objeto "Espelho Águia (Fênix)" está em uma sala ao lado dos aposentos da Rainha, e a pintura “Bule e Garrafas” (1965), de Lacerda, está no setor administrativo. Especialistas ligados ao setor das artes apontam ainda que a obra “Diabolo” (1951), do artista italiano Massimo Campigli, também integrava o acervo antigo e está na sala da curadoria.
Além das pinturas, foram identificados móveis e objetos de decoração que também constavam nos registros de 2012 do Palácio das Mangabeiras. Entre os itens localizados no Palácio da Liberdade estão cadeiras, um tapete arriolo, vasos chineses, pratos de louça, candelabros e um divã branco.
Posicionamento do governo
Em nota, o governo de Minas Gerais afirmou que não houve qualquer irregularidade na destinação do acervo. O Estado declarou que todos os bens estão cadastrados e com a localização registrada nos sistemas oficiais.
O governo afirmou ainda que repudia especulações sobre os itens do Palácio das Mangabeiras. Segundo a nota, todos os bens que integravam o acervo desde o início da atual gestão, em janeiro de 2019, encontram-se devidamente documentados.
