Presença de pessoas em situação de rua é o principal problema de Copacabana, diz enquete
Em enquete realizada com moradores, o tema superou trânsito e ocupação de calçadas como principal queixa no bairro.
Por Redação Diário Local
A presença de pessoas em situação de rua foi apontada como o principal problema de Copacabana em uma enquete realizada com moradores e frequentadores do bairro. O tema obteve 45,25% das preferências, superando questões como trânsito, roubos e ocupação de calçadas.
O trânsito, que ficou em segundo lugar, obteve 18,03% dos votos, enquanto a ocupação irregular de calçadas registrou 16,22%. A concentração de pessoas em situação de rua é observada em diversos pontos, com destaque para a orla da Avenida Atlântica, o calçadão entre as ruas Figueiredo Magalhães e Siqueira Campos e a Avenida Nossa Senhora de Copacabana.
O que diz a associação de moradores
Horácio Magalhães, presidente da Sociedade Amigos de Copacabana (SAC), afirmou que o resultado da pesquisa não é uma surpresa para a entidade. Segundo ele, a associação já recebe constantes reclamações por meio de e-mails e redes sociais sobre o tema.
Magalhães defende que o enfrentamento da questão deve ir além da assistência social, envolvendo também a saúde e a segurança pública. Ele citou que uma parcela significativa dessa população possui dependência de drogas, conforme dados da Secretaria Municipal de Assistência Social.
O presidente da SAC também mencionou que parte das pessoas em situação de rua pode estar envolvida em práticas criminosas, o que exige protocolos específicos do poder público para lidar com cada caso.
A visão dos especialistas
O professor Dário Sousa e Silva Filho, do Departamento de Sociologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), defende que é necessário separar o atendimento social da questão de segurança pública. Para o pesquisador, estar na rua não é sinônimo de ser um transgressor.
Silva Filho explicou que a presença dessa população é influenciada por fatores sazonais e climáticos. Segundo ele, em períodos de verão, a população em situação de rua pode triplicar em áreas turísticas devido ao deslocamento de pessoas de outras cidades.
O sociólogo ressaltou ainda a importância de uma distinção metodológica para evitar conclusões equivocadas ao comparar dados de períodos diferentes, como o inverno e o verão, devido às variações causadas pelo clima e pelo fluxo de turistas.
