Sede da Grande Loja Maçônica no Centro do Rio entra na fase final de construção
Prédio de seis andares na Avenida Presidente Vargas é construção da Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro.
Por Redação Diário Local
A construção da nova sede da Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro (GLMERJ) entrou na fase final de execução nesta semana (12). O edifício de seis pavimentos, localizado na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio, está em obras há pelo menos dois anos e já tem seus espaços internos sendo revelados.
O imóvel possui mais de 8 mil metros quadrados de área construída, distribuídos em seis pavimentos. Entre os ambientes detalhados pelo grão-mestre da entidade, José Ricardo Salgueiro, estão recepção, salas administrativas, biblioteca, museu, área gourmet, cozinhas, estacionamento e áreas de convivência. O principal destaque é o templo maçônico, que conta com mais de 800 metros quadrados.
A arquitetura da sede combina colunas de inspiração clássica com grandes panos de vidro e um símbolo do "Olho da Providência" na fachada. O projeto estava situado próximo a imóveis tombados, como o Hospital Escola São Francisco de Assis e o Sambódromo, o que gerou debates sobre a harmonia visual da construção com o entorno histórico da região.
Histórico de disputas pelo terreno
O lote de aproximadamente 1,6 mil metros quadrados pertenceu ao município e chegou a ser alvo de planejamento para dois órgãos públicos. Inicialmente, o Arquivo Geral da Cidade pretendia construir um anexo no local para ampliar seu acervo, mas a proposta não avançou.
Em um segundo momento, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) projetou uma sede de 16 pavimentos no endereço. A obra chegou a realizar a escavação de três níveis de subsolo para garagem, mas foi interrompida devido a restrições do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O órgão não autorizou a altura da torre por conta da proximidade com bens tombados, levando o então presidente do tribunal, Luiz Zveiter, a devolver o terreno à Prefeitura.
A área foi colocada em licitação pelo município em 2018. Em 2020, a Grande Loja Maçônica arrematou o terreno por R$ 8 milhões, o que correspondia a cerca de R$ 5 mil por metro quadrado. Na época, o valor era considerado inferior à média da região; segundo a Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), o preço do metro quadrado na Avenida Presidente Vargas era próximo do dobro desse patamar.
Regulamentação e questionamentos técnicos
O projeto arquitetônico enfrentou análises técnicas do Iphan em 2022. Embora o instituto tenha apontado inicialmente que a volumetria e os vãos da fachada não se harmonizavam com os vizinhos históricos, o órgão emitiu parecer favorável após estudos de arquitetura e arqueologia concluírem que não haveria prejuízo aos bens protegidos. Uma das exigências para a aprovação foi a troca de vidros reflexivos por vidros foscos.
Além das questões estéticas e de preservação, a execução da obra também enfrentou entraves administrativos. Em 2024, a Prefeitura do Rio embargou a construção devido a irregularidades identificadas no processo de edificação.
