Abstenção no Distrito Federal atinge nível mais alto em 12 anos no primeiro turno das eleições
No primeiro turno das eleições de 2026, 18,9% dos eleitores aptos no Distrito Federal deixaram de comparecer às urnas
Por Redação Diário Local
A abstenção no Distrito Federal atingiu o maior nível dos últimos 12 anos durante o primeiro turno das eleições de 2026. No domingo (4), 426.924 eleitores deixaram de comparecer às urnas, o que representa 18,9% do total de 2.258.320 pessoas aptas a votar na região.
O índice atual é superior ao registrado em 2022, quando a abstenção foi de 17,57% no primeiro turno e 16,71% no segundo. Em 2014, período anterior à intensificação da polarização política no país, os números eram consideravelmente menores, com 11,67% de ausência no primeiro turno e 12,64% no segundo turno.
Por que a abstenção aumentou?
Um levantamento realizado pelo grupo Observa DF, vinculado à Universidade de Brasília (UnB), indica que o desgaste do eleitorado com o ambiente político pode ser um fator determinante. Segundo a pesquisa com 1 mil eleitores do Distrito Federal, 44% dos entrevistados descreveram as conversas sobre a campanha como estressantes ou frustrantes.
O cientista político João Victor Barbosa avalia que a comunicação baseada no confronto, característica de campanhas polarizadas, contribui para o afastamento de parte do eleitorado. Para o especialista, o dado sinaliza que candidatos podem precisar focar em problemas específicos da cidade e em propostas concretas para recuperar o interesse de quem não se sente representado pelos debates atuais.
Barbosa sugere que, para atingir esse grupo, as candidaturas devem evitar o uso de rótulos como esquerda ou direita, priorizando mensagens que demonstrem como o voto pode causar mudanças reais na vida do cidadão.
Estratégias para o segundo turno
Questionados sobre como pretendem atrair os eleitores que não compareceram ao primeiro turno, os candidatos Celina Leão e Leandro Grass apresentaram abordagens distintas.
Celina Leão afirmou que manterá a dedicação durante a campanha e pretende conversar com as pessoas que não votaram no domingo (4). A candidata declarou que o objetivo é ouvir os cidadãos e apresentar as ações realizadas e as propostas para Brasília.
Já Leandro Grass informou que sua estratégia foca na crítica à gestão atual do governo do Distrito Federal. O candidato afirmou que busca mostrar os impactos da administração vigente, citando processos e a relação entre membros do governo e empresários.
