Representante do Brasil na OEA exige respeito à soberania e critica política de 'paz pela força'
Em sessão sobre a Nicarágua, diplomata brasileiro criticou a lógica de intervenção externa e defendeu a soberania nacional às vésperas do pleito.
Por Redação Diário Local
O representante permanente do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), Ricardo Belli, exigiu o respeito à soberania nacional e a não interferência no processo eleitoral brasileiro. A declaração ocorreu durante uma sessão sobre a Nicarágua nesta sexta-feira (2).
O diplomata criticou o conceito de “paz pela força”, termo associado a doutrinas que buscam o domínio por meio da coerção. Belli afirmou que a ausência de princípios de não interferência pode gerar caos e instabilidade na região das Américas.
Durante a consulta na OEA, o representante brasileiro reiterou o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que o país não deve se submeter a interesses externos. O diplomata utilizou a frase “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, já proferida pelo presidente na Assembleia Geral da ONU.
Belli questionou ainda os limites para a atuação de nações de fora da região. Segundo o diplomata, classificar atividades extra-regionais como “malignas” pode criar critérios subjetivos e permitir interpretações puramente políticas.
Tensões e contexto eleitoral
A movimentação diplomática acontece a dois dias do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil. O posicionamento ocorre após o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmar que acompanha de perto o pleito brasileiro, o qual classificou como “muito importante”.
O governo brasileiro tem manifestado apreensão com possíveis tentativas de ingerência externa. Em setembro, o presidente Lula afirmou que o líder dos Estados Unidos estaria apostando em exercer influência sobre a América Latina, e advertiu que o pleito não deve sofrer manipulações.
A preocupação do Itamaraty também é motivada por eventos recentes em outros países vizinhos. Em janeiro, o Brasil condenou a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos, e o governo brasileiro monitora possíveis precedentes de intervenções na região.
A defesa da soberania nacional tornou-se um dos principais eixos da campanha de reeleição de Lula. O presidente tem reforçado, em diversos fóruns internacionais, a necessidade de proteger a democracia latino-americana contra a ingerência em processos eleitorais.
