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Democracia

Cármen Lúcia discute democracia e o papel do voto em evento em Belo Horizonte

Ministra do Supremo Tribunal Federal participou de projeto cultural no auditório do Tribunal de Contas de Minas Gerais.

Por Redação Diário Local

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia Antunes Rocha, participou de um evento sobre democracia e literatura na noite desta sexta-feira (31), em Belo Horizonte. A conversa ocorreu no auditório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), como parte do projeto cultural Sempre um Papo.

Durante o encontro, mediado pelo jornalista Afonso Borges, a magistrada discutiu temas abordados em seus livros mais recentes: "Pela Mão do Povo" e "Princípio Constitucional da Solidariedade". Um dos pontos centrais da fala foi a importância da solidariedade nas relações sociais e no cumprimento da Constituição.

Cármen Lúcia destacou que a solidariedade é um dever previsto no Artigo 3º da Constituição Brasileira e relacionou o ato de votar a esse princípio. Segundo a ministra, o voto representa um gesto de solidariedade e está ligado à responsabilidade com o gasto de recursos públicos arrecadados por meio de impostos.

O impacto da tecnologia e da polarização

A ministra também manifestou preocupação com o comportamento nas redes sociais e o uso das telas. Ela apontou que o ambiente digital pode contribuir para uma sensação de solidão, afetando especialmente pessoas em fase de formação, como crianças e adolescentes, além de idosos.

Sobre a convivência social, Cármen Lúcia ponderou que a polarização em si não é o problema, mas sim o risco de a sociedade se transformar em uma "fratura político-social", onde divergências de opinião são tratadas como inimizades. Ela defendeu a necessidade de cultivar a fraternidade e o respeito entre pontos de vista distintos.

Ao tratar da democracia, a magistrada afirmou que o sistema é um processo contínuo de construção e transformação. Para ela, garantir a cidadania é a forma de assegurar a manutenção da democracia no país.

Sobre a obra Pela Mão do Povo

O livro "Pela Mão do Povo", organizado em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), analisa a trajetória da participação cidadã e a evolução dos sistemas eleitorais. A obra traça um histórico que vai desde períodos antigos até a informatização do processo de votação no Brasil, ocorrida nos anos 2000.

A publicação examina as Constituições brasileiras e discute como os conceitos de povo e cidadania foram incorporados ao constitucionalismo nacional. O material conta ainda com a contribuição de historiadores para analisar temas como o movimento Diretas Já, a Constituição de 1988 e a evolução dos jingles de campanha desde a década de 1930.

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