CNJ mantém afastamento de juiz mineiro após flagrante em audiência virtual
Corregedoria nacional ratificou por unanimidade a decisão de suspender o magistrado Milton Lívio Lemos Salles.
Por Redação Diário Local
O plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por unanimidade, manter o afastamento do juiz Milton Lívio Lemos Salles de todas as suas atividades. O magistrado, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), permanecerá suspenso até o fim do trâmite da reclamação disciplinar aberta pelo órgão.
A decisão ocorre após o magistrado ser flagrado bebendo vinho diretamente de uma garrafa e fumando com um maçarico durante uma audiência virtual realizada na segunda-feira (10). O incidente aconteceu enquanto o juiz cumpria regime de home office durante uma sessão do 4.º Núcleo de Justiça 4.0 (Cível Família).
A sessão do tribunal mineiro precisou ser interrompida assim que as imagens do comportamento do magistrado surgiram. O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, afirmou que a conduta é incompatível com os deveres de urbanidade, sobriedade e respeito à função jurisdicional.
Segundo o ministro, o comportamento do juiz compromete gravemente a imagem e a respeitabilidade do Poder Judiciário perante a sociedade. O afastamento visa garantir a condução da investigação disciplinar sem interferências.
Além do episódio durante a audiência, Salles gravou um vídeo no qual acusa quatro colegas de corrupção. No material, ele também coloca em suspeita a aquisição de uma frota de 179 veículos do modelo Corolla pela Corte de Minas para uso de desembargadores.
O vídeo com as acusações começou a circular na terça-feira (11), por volta das 15h. Poucas horas depois, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais divulgou um comunicado oficial sobre o caso.
A administração do TJMG afirmou que as acusações do magistrado não indicam qualquer irregularidade cometida pela Justiça mineira. O tribunal classificou as alegações como genéricas e sem elementos mínimos de provas contra membros do Judiciário.
Em nota, a instituição declarou que as falas de Salles aparentemente têm a finalidade de criar suspeição sobre julgadores. Segundo o tribunal, os magistrados citados já são alvo de apurações disciplinares no âmbito interno da Corte.
