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Desinformação

Estudo aponta como funciona a estratégia de campanhas de desinformação em períodos eleitorais

Pesquisadores da UFRJ detalham o ciclo de produção, teste em grupos fechados e distribuição massiva de narrativas falsas.

Por Redação Diário Local

Campanhas de desinformação são planejadas, testadas em grupos de nicho e distribuídas de forma estratégica nas redes sociais para ganhar escala, de acordo com um estudo do NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A pesquisa indica que as narrativas falsas não circulam ao acaso. Elas passam por um processo estruturado que envolve desde a criação de conteúdos em sites de baixa credibilidade até a distribuição massiva para atingir públicos que vão além das bolhas digitais tradicionais.

Segundo a coordenadora do estudo, Marie Santini, o uso das plataformas digitais conferiu uma capacidade de segmentação que amplifica o alcance da desinformação. Para a pesquisadora, a escala atual permite atingir públicos de forma muito mais precisa do que em períodos eleitorais anteriores.

Os pesquisadores apontam que as notícias falsas são testadas em grupos fechados antes de serem disseminadas para um número maior de pessoas. Esse método busca verificar a aderência do discurso antes de investir em uma distribuição mais ampla.

A repetição constante de uma narrativa também é utilizada para atingir pessoas fora das bolhas das redes sociais. O objetivo é gerar dúvida em públicos que originalmente não seriam o alvo principal da estratégia de desinformação.

Como funciona o ciclo das notícias falsas?

O processo de produção da narrativa geralmente começa em sites de conteúdo duvidoso, conhecidos como "junk news". Além disso, o conteúdo pode surgir em vídeos no YouTube de canais que possuem poucos seguidores.

Na fase seguinte, ocorre o teste de receptividade. O conteúdo é enviado para grupos fechados em aplicativos de mensagens, como o WhatsApp e o Telegram, com o intuito de medir a reação do público ao discurso.

Após os testes iniciais, a estratégia avança para a distribuição em nichos específicos. Isso é feito por meio de grupos no Facebook e de anúncios segmentados, permitindo que a mensagem chegue a perfis muito particulares.

Essa segmentação permite, por exemplo, que uma notícia falsa seja enviada exclusivamente para um grupo de religiosos, enquanto outra narrativa diferente é direcionada apenas para um grupo de mulheres.

A etapa seguinte envolve a desinformação audiovisual. A informação falsa é transformada em peças mais elaboradas, como vídeos curtos ou longos, para serem divulgados em redes como Instagram e TikTok, além de canais médios e grandes do YouTube.

O estágio final é caracterizado pela campanha "firehose". Trata-se de uma estratégia de distribuição multiplataforma que utiliza um grande volume de informações de forma rápida e contínua.

Nessa fase de escoamento massivo, a repetição é a ferramenta central. O volume e a velocidade das postagens servem para saturar o ambiente digital com a narrativa pretendida.

A estratégia busca reduzir a resistência das pessoas a determinadas narrativas ao longo do tempo. Segundo o estudo, o bombardeio de diferentes fontes visa aumentar a dificuldade de realizar a checagem dos fatos.

Ao repetir a mensagem exaustivamente, a desinformação tenta criar um efeito de dúvida sistêmica. O processo funciona como uma campanha permanente, desenhada para moldar a percepção do usuário por meio da insistência e da escala digital.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.