Lula e Flávio Bolsonaro protagonizam debate tenso com ataques pessoais e embates sobre segurança e economia
Encontro entre presidenciáveis foi marcado por trocas de acusações sobre o INSS, Banco Master, escala 6x1 e segurança pública
Por Redação Diário Local
O primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), foi marcado por forte tensão e ataques pessoais nesta segunda-feira (19). O confronto entre o petista e o senador foi caracterizado por trocas de acusações sobre temas como segurança pública, economia, a escala de trabalho 6x1 e o histórico judicial do presidente.
Durante o encontro, Lula questionou o senador sobre suas relações com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e sobre a possível inspiração de sua política econômica no modelo de cortes de gastos do argentino Javier Milei. O candidato do PL rebateu abordando fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e criticando a gestão federal.
A discussão sobre a jornada de trabalho 6x1 também gerou embate. Lula indagou o adversário sobre o fim da escala, e Flávio Bolsonaro afirmou que não vê contradição em mudar de posicionamento sobre o tema caso seja convencido. Ao falar de economia, o presidente utilizou a expressão "motosserra" para questionar a postura do senador, que evitou resposta direta, mas criticou a proximidade de Lula com o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.
Confrontos envolvendo familiares
O clima de hostilidade incluiu questionamentos sobre as famílias de ambos os candidatos. Flávio Bolsonaro perguntou sobre a situação de Fábio Luís da Silva, filho de Lula, na Espanha, e o presidente respondeu citando a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O senador também mencionou a lobista Roberta Luchsinger, que afirmou, em entrevista no sábado (17), ter interesse em um acordo de delação premiada envolvendo o petista.
Em outro momento ríspido, o senador utilizou a condenação de Lula para criticar sua presença no estúdio, citando a participação do ex-juiz Sérgio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol no debate. Lula, por sua vez, defendeu a aprovação da PEC da Segurança para enfrentar a criminalidade, criticando o senador por não apoiar a medida no Congresso Nacional.
Segurança e saídas de detentos
No tema de segurança pública, Flávio Bolsonaro prometeu a retomada de territórios controlados pelo crime organizado. Já o debate sobre a "saidinha" de presos causou embate direto: Lula defendeu a saída de detentos que não cometeram crimes hediondos e tenham bom comportamento, enquanto o candidato do PL criticou o presidente por priorizar os presos em vez das vítimas.
Sobre a dívida pública, o presidente buscou comparar o crescimento atual com os índices econômicos registrados durante seus primeiros mandatos nos anos 2000. O encontro foi marcado por momentos de interrupção, como quando o senador pediu que o presidente o respeitasse em razão de seu histórico de votos.
O debate encerrou com confusão nas considerações finais. Enquanto Lula discursava, Flávio Bolsonaro circulou pelo estúdio e posicionou-se atrás do adversário, invadindo seu enquadramento nas câmeras. A movimentação, permitida pelas regras de circulação do evento, provocou desordem na plateia e foi comparada à estratégia utilizada pelo presidente norte-americano Donald Trump em debates anteriores.
