Polícia Federal intercepta mensagens de Eduardo Cunha sobre redirecionamento de emendas
Investigação aponta que ex-deputado solicitou troca de destino de verbas parlamentares para evitar burocracia em Minas Gerais
Por Davy Albuquerque
A Polícia Federal interceptou diálogos que mostram o ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos) solicitando o redirecionamento de emendas parlamentares em Minas Gerais. As mensagens fazem parte de uma investigação que apura o possível direcionamento irregular de recursos públicos no estado.
Segundo o relatório da PF, as conversas ocorreram com a servidora Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. Nas mensagens, Cunha pede para substituir o município de Governador Valadares por outra cidade na lista de destinatários das verbas, justificando que a gestão local dificultava o processo ao exigir documentos.
Em um dos trechos descritos no relatório, o ex-presidente da Câmara reclama da burocracia mineira para facilitar a troca das indicações. "Não aguento mais esses mineiros enrolados. Troca a de Governador Valadares por essa, pois lá também criaram caso pedindo ofício etc. É mais fácil trocar", disse o ex-deputado.
A investigação aponta que a servidora Mariângela seria a responsável por operar o direcionamento dos recursos. De acordo com a Polícia Federal, as verbas eram distribuídas para atender aos interesses políticos de Cunha no território mineiro.
A análise das mensagens indica que o ex-deputado coordenava diretamente a destinação de ao menos 29 emendas da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. O montante envolvido nessas movimentações soma R$ 6,1 milhões.
O conteúdo das interceptações fundamentou uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões em bens de Cunha. O ex-parlamentar é pré-candidato à Câmara dos Deputados por Minas Gerais e não exerce mandato desde sua cassação, ocorrida em 2016.
Em nota oficial, a defesa de Eduardo Cunha negou que ele tenha cometido qualquer irregularidade e afirmou que pretende contestar a decisão do STF. Os advogados argumentam que as emendas mencionadas na investigação foram apresentadas e indicadas de forma oficial.
A defesa sustenta ainda que os recursos foram indicados por congressistas, bancadas ou outros órgãos que possuem legitimidade para tal ato, defendendo a legalidade do processo de indicação parlamentar.
