Entenda como funciona o cálculo do eleitor provável nas pesquisas eleitorais
Modelo de pesquisa calcula a probabilidade de comparecimento às urnas para projetar resultados com mais precisão.
Por Redação Diário Local
O modelo de 'likely voter', ou eleitor provável, é uma metodologia utilizada por institutos de pesquisa para estimar a probabilidade de cada cidadão comparecer às urnas e votar. A técnica busca aumentar a precisão das projeções eleitorais ao atribuir um peso de chance de comparecimento a cada entrevistado, baseando-se em critérios como perfil, engajamento e motivação política.
A aplicação desse método é estratégica para lidar com a variação do índice de abstenção no Brasil. Durante a eleição presidencial de 2022, por exemplo, o percentual de eleitores que deixaram de votar atingiu 20,9%, um fator que pode alterar drasticamente o cenário de uma disputa se não for devidamente ponderado.
De acordo com Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), o processo de cálculo começa a partir de uma amostra que representa a totalidade dos eleitores aptos a votar, incluindo aqueles que possuem tendência à abstenção.
A diferença crucial ocorre no tratamento dos dados coletados. No modelo de eleitor provável, cada participante da amostra recebe uma pontuação de probabilidade de comparecer às urnas, calculada a partir da análise do comportamento e do interesse do cidadão naquela eleição específica.
O objetivo final é que os resultados projetados reflitam os votos válidos. Isso significa que o cálculo considera apenas quem efetivamente comparece à seção eleitoral e escolhe um candidato, excluindo as abstenções do resultado final da projeção.
Como o cálculo impacta os resultados?
A importância de estimar a probabilidade de voto reside no fato de que a abstenção não conta como voto para nenhum candidato. Se uma pesquisa não considerar quem tem menos chance de votar, ela pode apresentar distorções entre o que é coletado na entrevista e o que ocorre no dia da votação.
Ao utilizar o engajamento e a motivação como variáveis, o instituto consegue separar o eleitor que demonstra intenção de voto daquele que, embora esteja apto, possui baixa probabilidade de deslocar-se até o local de votação.
O método de 'likely voter' passou a ser aplicado pela Quaest durante a eleição presidencial de 2022. Desde então, a ferramenta tem sido integrada aos processos de apuração de dados de institutos de pesquisa.
A metodologia também foi empregada nas eleições municipais de 2024. Para o ciclo eleitoral de 2026, o uso do modelo de probabilidade de comparecimento já está confirmado para as novas projeções.
Aplicação nas eleições de 2026
Para o primeiro turno das eleições de 2026, as pesquisas devem cobrir uma ampla gama de cargos e regiões. Estão previstas publicações sobre a disputa pelo Senado, governos de todos os estados e do Distrito Federal, além da Presidência da República.
As projeções devem ocorrer de forma contínua ao longo do processo eleitoral, permitindo acompanhar a corrida entre os candidatos rodada a rodada.
Além do acompanhamento das pesquisas, o debate eleitoral também contará com conteúdos explicativos sobre o funcionamento do sistema. Entre os temas abordados estão as regras para o uso de inteligência artificial e redes sociais durante as campanhas.
Outros pontos de esclarecimento para o eleitor incluem as diferenças de atuação entre deputados e senadores, o funcionamento do Congresso Nacional e as orientações práticas para o dia da votação.
