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Governo federal inaugura escritório contra facções no Rio de Janeiro

Nova estrutura federal integra União, estado e municípios para enfrentar organizações criminosas com ações de inteligência e asfixia financeira.

Por Diário Local

O Ministério da Justiça e Segurança Pública inaugurou nesta sexta-feira (3 de julho) o Escritório Nacional Antifacção do Rio de Janeiro. A nova estrutura busca fortalecer a integração entre União, estado do Rio de Janeiro e municípios fluminenses para enfrentar o crime organizado no Estado, com ações integradas de inteligência e operações conjuntas.

De acordo com o ministro Wellington César Lima e Silva, o escritório marca presença constante do governo federal no Rio de Janeiro. O Estado concentra desafios significativos de segurança pública e foi berço de transformações do crime organizado contemporâneo, que desenvolveu formas sofisticadas de controle territorial armado.

Essas organizações criminosas combinam violência, exploração econômica, captura de mercados, lavagem de dinheiro e infiltração em atividades econômicas formais e institucionais. "Foi aqui que vimos surgirem algumas das principais transformações do crime organizado contemporâneo", afirmou o ministro.

A inauguração integra o Programa Brasil Contra o Crime Organizado. Estruturas semelhantes foram instaladas em São Paulo e Foz do Iguaçu (PR). São Paulo e Rio de Janeiro também receberam sedes regionais do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Asfixia financeira como estratégia

O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, destacou que o Coaf ocupa posição de "absoluta centralidade" no programa porque a asfixia financeira das facções é um dos principais eixos de atuação. Segundo ele, se o objetivo final das organizações criminosas é o lucro e esse lucro financia ações violentas, é necessário fechar esse fluxo.

O governo já está mapeando com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) operadoras de telefonia e internet que trabalham para o crime organizado, além de atividades econômicas capturadas por facções. A estratégia inclui eliminar focos de infiltração e regular o mercado para evitar novos casos.

"Vamos mapear e eliminar os focos dessa infiltração e principalmente regular o mercado para evitar que esse tipo de coisa aconteça", explicou Chico Lucas.

Apoio logístico e operacional a outros Estados

O escritório permitirá que o governo federal ofereça maior apoio logístico às forças de segurança do Estado em operações e auxilie outros Estados que enfrentam organizações criminosas nascidas no Rio de Janeiro. Segundo Lucas, não é justo que o Rio de Janeiro suporte sozinho as despesas e operações contra essas facções.

O escritório atuará em nível estratégico de inteligência para apoiar outras unidades federativas na produção de conhecimento, em operações e na captura de foragidos, em sinergia com os Estados e forças de segurança.

"O escritório vai trabalhar a nível estratégico de inteligência para apoiar outras unidades da federação", afirmou Chico Lucas.

Reforço na segurança penitenciária

O secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, informou que o governo federal vai reforçar a segurança nos presídios do Estado, doando equipamentos e treinando policiais penais conforme protocolos dos presídios federais de segurança máxima.

Um total de 138 presídios do país foi selecionado para receber essas ações, incluindo as principais unidades penitenciárias do Rio de Janeiro. Pelo menos duas operações regionais e uma grande operação nacional serão realizadas mensalmente nesses estabelecimentos.

Garcia ressaltou que os presídios abrigam quase 80% das lideranças criminosas do país. Com essa estratégia, o objetivo é monitorar, isolar e impedir que esses indivíduos articulem atividades criminosas fora das unidades penitenciárias.

"Com isso, nós pretendemos monitorar, isolar e impedir que esses indivíduos articulem as atividades criminosas fora do presídio", declarou André Garcia.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.