Flávio Bolsonaro diz aos EUA que tarifa de 25% daria vitória política a Lula
Senador apresenta documento de 86 páginas ao governo Trump argumentando que sobretaxas fortaleceriam politicamente o presidente brasileiro.
Por Diário Local
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ao governo dos Estados Unidos que uma tarifa de 25% proposta sobre produtos brasileiros daria ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "exatamente a vitória política que ele vem buscando". A avaliação consta em um documento de 86 páginas apresentado ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos em 1º de julho de 2026, órgão que conduz uma investigação comercial contra o Brasil.
"Em outras palavras, as tarifas propostas dariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem buscando, ao mesmo tempo em que causariam danos à economia norte-americana e aos próprios brasileiros que buscam uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos", afirmou o senador.
Flávio argumenta que o governo Lula transformou o embate comercial com os Estados Unidos em um ativo político doméstico. Segundo sua avaliação, pesquisas eleitorais mostram que a posição eleitoral do governo se fortaleceu justamente nos períodos em que a pressão tarifária norte-americana foi mais intensa.
"Pesquisas de opinião no Brasil mostram que a posição eleitoral do governo se fortaleceu justamente nos períodos em que a pressão tarifária dos Estados Unidos foi mais intensa", disse.
Flávio também argumenta que uma tarifa generalizada não atingiria o alvo pretendido pelo governo norte-americano. Segundo ele, as críticas dos EUA se dirigem à conduta do governo Lula e a decisões do Supremo Tribunal Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Como o próprio presidente enquadrou a questão, o alvo é a conduta do Governo e do Judiciário. Uma tarifa de 25% sobre praticamente toda a economia brasileira não atinge nenhum dos dois. Ela atinge exportadores brasileiros, importadores norte-americanos, consumidores dos Estados Unidos e os cidadãos brasileiros que se opõem justamente à conduta em questão", escreveu.
Como alternativa às tarifas generalizadas, Flávio propõe que os Estados Unidos adotem sanções direcionadas a indivíduos. Segundo sua análise, essas medidas seriam mais eficazes e atingiriam o objetivo de pressionar o governo sem prejudicar a economia.
O senador cita dois instrumentos da legislação norte-americana: a Section 7031(c), que permite restrições de visto, e a Lei Magnitsky, que autoriza sanções financeiras contra pessoas acusadas de corrupção ou graves violações de direitos humanos. A Lei Magnitsky já foi usada contra o ministro Alexandre de Moraes no segundo semestre de 2025.
"Esses instrumentos direcionados atingem exatamente a conduta mencionada pelo presidente –a supressão da liberdade de expressão protegida constitucionalmente, a perseguição deliberada a empresas norte-americanas que atuam dentro da lei e a corrupção– sem impor custos a toda uma economia ou aos cidadãos que se opõem a essa conduta", diz o documento.
No documento, o senador pede a suspensão da implementação das tarifas e a abertura imediata de um mecanismo de negociação bilateral sobre seis temas investigados pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA. São eles: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix; tarifas preferenciais; combate à corrupção; propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.
Sobre o Pix, Flávio afirmou que o "sinal decisivo" seria um compromisso legislativo de que o sistema não seria interconectado a arranjos de liquidação transfronteiriça ligados a países fora do eixo ocidental. Essa garantia, segundo sua avaliação, responderia às preocupações norte-americanas sobre o sistema de pagamentos.
O senador também diferencia o Pix de instrumentos de pagamento privados como cartões de crédito e débito. Conforme sua análise, esses últimos carregam um "ônus regulatório e tributário" que suprime a concorrência em vez de fomentá-la. Para Flávio, reduzir esse ônus ampliaria a escolha do consumidor e apoiaria o crescimento econômico.
Flávio defende a busca por acordos bilaterais que ampliem comércio e investimentos entre o Brasil e outros países, com ênfase na relação com os Estados Unidos. Segundo o documento, o Brasil enfrenta limitações impostas por compromissos assumidos no Mercosul que dificultariam negociações mais abrangentes com grandes economias.
O senador cita o presidente argentino Javier Milei como precedente útil e afirma estar disposto a analisar o caminho adotado pela Argentina para se libertar de restrições regionais e negociar de forma mais ampla com os Estados Unidos.
