Fragmentação da direita beneficia comunicação petista e gera ressalvas ao eleitor de centro, diz especialista
Cientista de dados Sergio Denicoli aponta que brigas internas na direita facilitam dominância do PT nas redes sociais.
Por Redação Diário Local
A fragmentação do campo da direita no cenário eleitoral de 2026 tem favorecido a comunicação do Partido dos Trabalhadores (PT) junto à sua base de apoio. Segundo análise do cientista de dados e CEO da AP Exata, Sergio Denicoli, a desunião e as brigas internas no campo conservador facilitam a dominância da narrativa petista nas redes sociais.
O especialista observa que a esquerda passou por um processo de reorganização digital após o resultado das eleições de 2018. Para Denicoli, enquanto o grupo de oposição apresenta divisões, o lado oposto conseguiu se estabelecer com mais consistência nas plataformas digitais para os pleitos subsequentes.
“Se você tem uma fragmentação num campo político, com brigas internas dentro desse campo, e você tem um outro lado que fala praticamente sozinho, é muito mais fácil você ter essa dominância do que se fala nas redes”, explicou o cientista de dados ao comentar o cenário atual.
A análise também aponta para a abertura de espaço para uma terceira via, impulsionada pela indecisão do eleitor de centro. Denicoli utilizou como exemplo dados coletados durante a convenção do Partido Social Democrático (PSD), ocasião em que Ronaldo Caiado foi lançado como pré-candidato.
Após Caiado formalizar críticas tanto ao presidente Lula quanto ao ex-presidente Jair Bolsonaro, as redes sociais registraram uma reação expressiva. De acordo com o levantamento, 35% das pessoas que comentaram o tema demonstraram apoio ao pré-candidato do PSD.
Para o especialista, esse percentual evidencia um eleitorado de centro que demonstra ressalvas em relação a Flávio Bolsonaro e apresenta alta rejeição aos dois polos principais da política nacional. Esse comportamento indica uma busca por alternativas fora da polarização tradicional.
Possíveis nomes para a terceira via
Além de Ronaldo Caiado, Denicoli citou Renan Santos, do grupo Missão, como outro nome com potencial de representatividade. Segundo o cientista, Renan já possui uma organização relevante e realizou uma pré-campanha com visibilidade, consolidando-se como liderança após sua convenção.
A conclusão da análise é que a atual fragmentação da direita acaba sendo prejudicial para o campo político em disputa. Para conquistar o eleitorado de centro, os nomes que buscam o espaço fora dos dois polos principais precisam aprimorar a organização de propostas e a presença nas redes sociais.
