Diário Local
Política

Governo planeja adiar debate sobre proibição de apostas para evitar crise política antes de eleições

Integrantes do Planalto pretendem postergar negociações com clubes de futebol para evitar repercussão negativa às vésperas do pleito.

Por Redação Diário Local

Integrantes do governo federal pretendem adiar o debate sobre a proibição das apostas de quota fixa (bets) no Brasil para depois do primeiro turno das eleições, marcado para este domingo (4). A estratégia visa evitar que o tema ganhe maior repercussão e desgaste político nas vésperas da votação.

A intenção de postergar as negociações surge após a decisão do Palácio do Planalto, na semana passada, de assinar uma medida provisória para proibir as apostas de quota fixa no país. A medida gerou forte resistência entre clubes de futebol, que chegaram a ameaçar a paralisação do Campeonato Brasileiro em protesto.

A insatisfação do setor esportivo ficou evidente com o cancelamento de uma reunião que ocorreria nesta terça-feira (29). O encontro deveria reunir dirigentes de clubes, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os ministros da Fazenda, Dario Durigan; do Esporte, Paulo Henrique; e do Planejamento, Bruno Moretti.

Dentro do governo, a avaliação é de que as equipes de futebol realizaram um boicote ao encontro. Existe a suspeita de que os dirigentes tenham sido pressionados pelas próprias empresas de apostas para não comparecerem à mesa de negociação com os ministros.

Por que o debate pode ser postergado?

A possibilidade de uma paralisação do futebol preocupa os assessores do presidente Lula, devido ao potencial de transformar o assunto em um tema de alto impacto político durante o período eleitoral. Por esse motivo, a orientação interna é evitar a ampliação do debate público sobre o tema neste momento.

Além do fator político, o governo utiliza pesquisas internas para sustentar a decisão de não acelerar as conversas. Um levantamento realizado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) analisou 112 mil ocorrências em plataformas digitais e indicou que 76% das manifestações sobre o tema foram classificadas como positivas para o governo.

Apesar da tentativa de reduzir o ruído público, aliados da Presidência afirmam que a defesa da proibição será mantida. O argumento central é que o futebol brasileiro sempre funcionou sem o suporte das plataformas de apostas e que o fim dessas atividades não causará prejuízos ao esporte.

O presidente Lula já manifestou publicamente sua posição contra o modelo atual, sustentando que a proibição das apostas esportivas não impactará negativamente o setor esportivo nacional.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.