Jaques Wagner reclama a Lula de "patacoada" da PF na divulgação de apreensão
Senador petista criticou a forma como a Polícia Federal divulgou imagem de cédulas apreendidas em seu apartamento em Brasília durante investigação sobre suposto favorecimento ao Banco Master.
Por Diário Local
O senador Jaques Wagner (PT-BA) criticou a forma como a Polícia Federal divulgou fotografias de cédulas de moeda estrangeira apreendidas em seu apartamento em Brasília. Ele chamou a ação de "patacoada" e afirmou ter reclamado do ocorrido diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta", declarou Wagner em entrevista.
A apreensão ocorreu em 18 de junho, durante a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga a suposta atuação do senador para defender interesses do Banco Master no Congresso. Segundo os investigadores, o parlamentar teria recebido um apartamento e repasses milionários para favorecer a instituição financeira.
Violação de orientação do STF
Wagner argumentou que a divulgação da imagem violou uma orientação do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal. Mendonça havia determinado que as apreensões fossem feitas "de forma discreta" devido ao "caráter sigiloso da investigação".
Na mesma entrevista, o senador revelou que os valores pagos pelo Banco Master para a empresa de sua nora são maiores do que os R$ 3,5 milhões divulgados publicamente. Ele afirma que o dinheiro tem origem legal.
Negação de relação de troca
Wagner rebateu acusações de relação de troca entre favores e benefícios financeiros. "Está se tentando criar uma retórica hipócrita. Tenho relação com uma porção de gente. Aí o cara diz para mim: 'terça-feira eu estou indo para Brasília, quer ir de carona?' Eu vou, qual o problema? Fica-se criminalizando qualquer tipo de relacionamento. Óbvio que de vez em quando eu pego carona. O que a Polícia Federal tem que comprovar, e não vai, é a relação de troca", declarou.
Saída da liderança do governo
Wagner deixou o cargo de líder do governo no Senado na quarta-feira (24 de junho), após conversa com o presidente Lula no Palácio da Alvorada. Segundo ele, a saída ocorreu de comum acordo, uma semana após a operação da Polícia Federal. A senadora Teresa Leitão (PT-PE) assume o lugar.
"Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado", afirmou o senador nas redes sociais.
