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Religião

Líderes religiosos e parlamentares reagem a fala de Lula sobre celibato e ordenação de mulheres

Bispos e a Frente Parlamentar Católica repudiaram declarações do presidente sobre celibato e ordenação de mulheres.

Por Redação Diário Local

Líderes religiosos e parlamentares repudiaram, neste sábado (19), declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o celibato sacerdotal e a restrição à ordenação de mulheres na Igreja Católica. As críticas surgiram após o presidente comentar o tema durante um encontro com integrantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, ocorrido no Palácio do Planalto.

Durante o evento, realizado nesta quarta-feira (16), Lula afirmou que a Igreja Católica continuará enfrentando dificuldades enquanto mantiver a prática do celibato e não permitir que mulheres ocupem os cargos de padres e bispas. O presidente também comparou a situação ao cenário das igrejas evangélicas, classificando a igualdade de condições para as mulheres como uma vantagem desse segmento.

A fala presidencial provocou críticas diretas de bispos católicos. Dom Devair Araujo da Fonseca, bispo da Diocese de Piracicaba, manifestou-se contra a tentativa de políticos de interferirem nas normas internas da instituição. Segundo ele, os governantes deveriam focar na gestão do país em vez de opinar sobre o celibato dos padres.

Durante uma celebração, o bispo de Piracicaba também pediu aos fiéis cautela no momento do voto, sugerindo que não escolham representantes que busquem acabar com a liberdade religiosa. Ele criticou o que chamou de falta de cuidado dos políticos com a nação ao perderem tempo com temas eclesiásticos.

Dom Adair José Guimarães, bispo da Diocese de Formosa, também se manifestou contra a declaração. Ele afirmou que não se assusta com o posicionamento, associando o comportamento de alguns líderes à indiferença religiosa. O bispo citou ainda uma fala anterior do arcebispo do Rio de Janeiro, dom José Eugênio Sales, sobre a postura do presidente em relação ao catolicismo.

No Congresso Nacional, a Frente Parlamentar Católica da Câmara dos Deputados também reagiu ao caso. Por meio de uma nota de repúdio publicada nesta sexta-feira (18), a frente — representada pelo deputado Luiz Gastão (PSD-CE) — manifestou desacordo com os comentários sobre a disciplina e a constituição sacramental da Igreja.

A nota assinada pela frente parlamentar destaca que o Estado brasileiro é laico e deve assegurar a liberdade religiosa e o respeito a todas as confissões. O texto defende que a autonomia das comunidades de fé para definir sua própria doutrina e organização deve ser respeitada pelas autoridades públicas.

O documento reforça que questões como o ministério ordenado e o celibato possuem fundamentos teológicos e sacramentais que não podem ser reduzidos a meras comparações organizacionais. A frente parlamentar reiterou seu compromisso com o diálogo institucional pautado pela responsabilidade e pelo respeito mútuo entre as diferentes tradições religiosas.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.