Lindbergh Farias acusa Flávio Bolsonaro de atuar por interesse eleitoral em audiência nos EUA
Deputado federal afirmou que senador tentou apagar posicionamentos anteriores sobre tarifas comerciais aplicadas pelos Estados Unidos
Por Diário Local
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) chamou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “lacaio de Trump” ao criticar sua participação em uma audiência no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington, nesta terça-feira (7/7). O parlamentar afirmou que a presença do senador nos Estados Unidos teve motivação eleitoral e visou distanciar o político de posicionamentos anteriores de apoio às medidas do governo de Donald Trump.
Em publicação nas redes sociais, Lindbergh alegou que Flávio Bolsonaro não atuou na defesa dos interesses do Brasil, mas tentou "apagar as próprias digitais" em relação às tarifas comerciais de 25% aplicadas pelos EUA contra produtos brasileiros. O deputado lembrou que, no passado, o senador teria comemorado o "tarifaço" contra o país e agradecido a Trump.
O parlamentar também acusou o senador de omitir sua relação direta com o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Segundo Lindbergh, o senador utilizou a defesa do Pix para promover uma agenda de mercado, mas evitou mencionar o vínculo com Vorcaro, a quem teria pedido recursos para financiar o filme biográfico "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na crítica, o deputado mencionou o repasse de R$ 61 milhões ao projeto do filme e questionou o elo entre financiadoras e empresas investigadas. Lindbergh afirmou que o senador omitiu a relação com o banqueiro e a ligação de uma financiadora com uma empresa apontada por lavar dinheiro para o crime organizado.
O que Flávio Bolsonaro defendeu em Washington?
Durante a audiência no USTR, o senador Flávio Bolsonaro argumentou que uma eventual tarifa de 25% sobre produtos brasileiros não deveria ser aplicada no momento atual. Para o parlamentar, a implementação da medida agora fortaleceria politicamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio afirmou aos integrantes da comissão que aplicar uma tarifa de difícil reversão agora seria o "pior momento possível para agir", pois puniria aqueles que suportaram as consequências de ações anteriores. Esse posicionamento já havia sido formalizado pelo senador em um documento enviado ao órgão norte-americano na semana passada.
Enquanto o senador participava dos debates em Washington, o governo brasileiro decidiu enviar apenas observadores para acompanhar as discussões. No discurso, Flávio também abordou investigações de corrupção e fraudes no Brasil, citando o caso envolvendo o Banco Master.
No entanto, o senador não mencionou em seu discurso a relação com Daniel Vorcaro. As conversas entre Flávio e o banqueiro teriam ocorrido entre 2024 e novembro de 2025, período que antecedeu a primeira prisão de Vorcaro durante a Operação Compliance Zero.
