Diário Local
Política

Lula critica clubes que pressionam contra restrições a casas de apostas em comício

Durante evento em Guarulhos, presidente rebate argumento de que proibição de apostas acabaria com o futebol e cita combate à lavagem de dinheiro.

Por Redação Diário Local

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, na sexta-feira (18), os clubes de futebol que se posicionam contra eventuais restrições ou a proibição de casas de apostas eletrônicas (bets) no Brasil. A declaração foi feita durante um comício em Guarulhos (SP).

Lula afirmou que a pressão dos clubes contra as proibições seria liderada pelo Flamengo. Durante a fala, a primeira-dama Janja Lula da Silva, que é torcedora do clube carioca, interveio com um sinal gestual de brincadeira para que o presidente alterasse a menção específica ao time.

Após a intervenção, o presidente incluiu o Corinthians e outras equipes no discurso. Ele mencionou que diversos clubes brasileiros conquistaram títulos mundiais antes da existência dos patrocínios de apostas, citando São Paulo, Santos, Grêmio, Internacional e Flamengo.

O presidente também citou o próprio Corinthians, afirmando que o clube foi campeão mundial duas vezes sem o apoio das bets. Lula rebateu o argumento de que o setor é vital para o esporte ao declarar que o combate à lavagem de dinheiro e a proteção financeira de apostadores são prioridades.

“A gente pode perder imposto, mas não a vida dos pobres jogando. Esse negócio de que vai acabar [o futebol] é balela. Vamos acabar é com a lavagem de dinheiro e roubalheira”, declarou o presidente durante o evento.

Por que os clubes são contra as mudanças

Várias equipes do futebol brasileiro têm se manifestado contra as mudanças na regulamentação das apostas e dos jogos on-line propostas pelo governo. Clubes como Flamengo, Fluminense, São Paulo, Santos, Botafogo, Vasco e Palmeiras, além de federações e campeonatos estaduais, apoiam a manutenção do mercado regulado.

Em uma publicação conjunta, as equipes utilizaram a frase “O fim do futebol brasileiro” para alertar sobre os riscos da proibição. A estimativa apresentada pelos clubes é de que o mercado de apostas movimente cerca de R$ 1 bilhão em receitas que seriam perdidas caso o setor fosse proibido.

O cenário de dependência financeira é expressivo no futebol de elite nacional. Atualmente, dos 20 clubes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro, 13 possuem contratos de patrocínio master com casas de apostas eletrônicas.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.