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Política

Lula acumula pelo menos 23 derrotas no Congresso desde o início do 3º mandato

Presidente enfrenta desafios para aprovar propostas prioritárias e sofreu reveses como a rejeição de indicação ao STF

Por Davy Albuquerque

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou o recesso parlamentar, neste sábado (18), com um saldo de pelo menos 23 derrotas relevantes acumuladas em seu terceiro mandato. O cenário para o restante do ano exige maior esforço de articulação devido ao calendário eleitoral e à redução do tempo disponível para votações no Congresso Nacional.

A diminuição do ritmo legislativo dificulta o avanço de propostas prioritárias do Palácio do Planalto. Entre as principais bandeiras que enfrentam resistência é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais e extingue a escala 6x1, tema central para o eleitorado do governo.

As dificuldades de governabilidade no Legislativo se mantiveram ao longo de todo o mandato, mesmo com as mudanças nas presidências da Câmara e do Senado. O governo enfrentou sucessivas derrotas em votações, derrubada de vetos e projetos travados por falta de apoio parlamentar.

Quais foram os principais reveses?

Além das votações perdidas, o governo sofreu um desgaste significativo com a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O episódio agravou a tensão entre o Executivo e o Senado durante o ano de 2026.

O enfraquecimento da interlocução política também é visível nos dados de reuniões oficiais. No primeiro trimestre de 2026, o presidente não realizou encontros com os presidentes da Câmara e do Senado ou com líderes do Congresso, enquanto no mesmo período de 2025 foram registrados três encontros.

Para tentar reverter o quadro, Lula tem colocado a eleição de senadores como prioridade política. O presidente afirmou em discursos que a esquerda precisa ampliar sua bancada no Senado para facilitar a aprovação de projetos e reduzir os conflitos com o Legislativo.

Quais foram as vitórias e o que resta votar?

Apesar dos obstáculos, a gestão obteve conquistas como a aprovação da reforma tributária no primeiro ano e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. O governo também viu a eleição de Odair Cunha (PT-MG) para o Tribunal de Contas da União (TCU) como um ponto positivo.

Após o recesso, que vai de 18 a 31 de julho, uma série de temas deve voltar à pauta. Além da PEC da jornada de trabalho, estão pendentes a PEC da Segurança Pública, o marco legal da inteligência artificial, o Redata, a PEC da autonomia financeira do Banco Central, o projeto que amplia o teto do MEI e a proposta que criminaliza a misoginia.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.