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Lula enfrenta dificuldades para virar jogo contra Flávio Bolsonaro no segundo turno

Analistas apontam que perda de votos no Nordeste e apoio de candidatos derrotados a Flávio dificultam reação do petista

Por Redação Diário Local

O atual presidente Lula enfrenta um cenário adverso para conquistar a vitória no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Especialistas apontam que a perda de vantagem no Nordeste e o apoio de candidatos derrotados ao rival dificultam a reação necessária para superar o líder do primeiro turno.

No pleito decisivo realizado no domingo (4), Flávio Bolsonaro liderou com 47,03% dos votos, somando pouco mais de 56,1 milhões de eleitores. Lula obteve 45,1%, totalizando 53,8 milhões de votos.

Por que a virada de Lula é considerada difícil?

Analistas indicam que o senador Flávio Bolsonaro deve receber a maior parte dos votos dos candidatos que foram derrotados na primeira etapa. Ao contrário de 2022, quando candidatos como Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT) ajudaram a impulsionar o petista, o grupo atual de derrotados mostra maior inclinação à direita. De acordo com o cientista político Jairo Pimentel, da consultoria Quanti.Lab, candidatos como Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) declararam apoio ao senador do PL, com exceção de Renan Santos (Missão).

Outro fator é a mudança no comportamento eleitoral da região Nordeste. A base que garantiu a vitória de Lula na eleição passada tem migrado para a candidatura de Flávio Bolsonaro, transformando o comportamento regional em um obstáculo para o petista.

Há também a questão do impacto de medidas sociais. Estudos mencionados por especialistas sugerem que os benefícios estendidos por Jair Bolsonaro às vésperas de 2022 tiveram um impacto eleitoral mais significativo do que os reajustes atuais, como os do Bolsa Família, na corrida de dois turnos.

O precedente de 2022

A comparação com a eleição de 2022 é recorrente entre especialistas. Naquele ano, Jair Bolsonaro realizou uma recuperação expressiva entre os dois turnos, elevando seus votos em quase 14%, enquanto o crescimento de Lula foi de pouco mais de 5%.

O cientista político Rodrigo Mahlmeister, pesquisador da Duke University, descreve o desempenho de Bolsonaro em 2022 como um fenômeno de aceleração. Na ocasião, Bolsonaro angariou cerca de 7,1 milhões de novos eleitores após o primeiro turno, enquanto Lula somou 3 milhões de votos adicionais.

A diferença final entre os candidatos em 2022 foi de 2,1 milhões de votos, a mais apertada desde a redemocratização. Para Mahlmeister, o cenário atual é de inversão, exigindo que Lula repita o ritmo de crescimento observado pelo ex-presidente para garantir a reeleição.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.