Lula e Milei discursam em convenções simultâneas e presidente do STF reage a críticas de argentino
Presidentes discursaram neste sábado (25) em eventos partidários em São Paulo; Edson Fachin classificou fala de Milei como desrespeitosa.
Por Redação Diário Local
Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei realizaram discursos quase simultâneos em convenções partidárias neste sábado (25), no estado de São Paulo. Enquanto Lula reforçou a soberania do processo eleitoral brasileiro, as falas de Milei geraram uma nota de repúdio do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, após ataques direcionados a um ministro da Corte.
Em Campinas (SP), durante evento que confirmou a candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista, o presidente Lula iniciou seu pronunciamento às 13h06. O discurso teve duração de 27 minutos e 36 segundos e focou na defesa da autonomia das eleições de outubro.
Durante a fala, Lula afirmou que caberá aos brasileiros decidir o futuro do país e enviou um alerta contra interferências externas no pleito. "Quem quiser, de fora, vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições", declarou o presidente.
Na capital paulista, o presidente da Argentina, Javier Milei, discursou às 13h02 na Arena Pacaembu, durante convenção que confirmou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. O pronunciamento do mandatário argentino durou 27 minutos e 19 segundos.
No discurso, Milei criticou a gestão de Lula e atacou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, chamando-o de "lixo careca". O termo foi utilizado por Milei para criticar uma decisão judicial que o impediu de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O presidente argentino também mencionou que Lula recebia líderes estrangeiros enquanto Bolsonaro estava preso. Milei citou ainda o ex-presidente argentino Alberto Fernández, referindo-se a ele como "desastroso". Ao final da fala, Milei exibiu uma camisa da seleção argentina ao lado de uma bandeira do Brasil junto a Flávio Bolsonaro.
A declaração de Milei motivou uma reação oficial da Presidência do STF. Em nota divulgada neste sábado (25), o presidente da Corte, Edson Fachin, classificou as falas como desrespeitosas em relação ao magistrado e destacou que as ofensas foram proferidas em solo brasileiro.
Fachin afirmou que a referência ao ministro refere-se a um ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil. O ministro também defendeu a independência do Judiciário e afirmou que a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve marcar as relações entre os Estados.
