Mudança de estratégia de Lula no segundo turno busca evitar derrota similar à da esquerda na Colômbia
Após primeiro turno com Flávio Bolsonaro à frente, campanha do presidente foca em pautas práticas para reduzir rejeição
Por Redação Diário Local
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva para o segundo turno das eleições passou por uma reestruturação estratégica para evitar um cenário semelhante ao ocorrido na Colômbia, onde a direita venceu a esquerda. Após o primeiro turno, em que o senador Flávio Bolsonaro liderou com 47% dos votos válidos contra 45% do presidente, o foco da disputa mudou da retórica de soberania para questões práticas do cotidiano.
A mudança buscou corrigir falhas identificadas após o desempenho da esquerda regional. Com a estratégia voltada para a mobilização e pautas econômicas voltadas à classe média baixa, a disputa entrou em fase de empate técnico na reta final, recuperando o fôlego eleitoral do petista.
Por que a estratégia de Lula mudou?
A mudança foi motivada pelo alerta dado pela eleição na Colômbia, onde Abelardo de la Espriella conquistou a presidência ao derrotar Iván Cepeda. O resultado colombiano serviu de modelo para a direita brasileira, que passou a tratar a vitória como uma tendência regional.
O cenário impôs à campanha de Lula a necessidade de enfrentar o que especialistas chamam de "maldição do mandato". Como nenhum presidente em exercício na América do Sul possui apoio majoritário atualmente, a campanha brasileira decidiu deixar de conduzir um referendo sobre o governo para oferecer uma escolha baseada na experiência executiva de Lula, contrastando-a com a falta de histórico de seu adversário.
O impacto da nova postura já aparece nos números. Segundo pesquisa da Quaest divulgada nesta quarta-feira (21) (21), a rejeição a Lula caiu de 53% para 47% em uma semana, enquanto a rejeição a Flávio Bolsonaro diminuiu apenas dois pontos percentuais, de 54% para 52%.
Como a economia e a segurança influenciam o pleito?
Para evitar o erro de focar apenas em bases já garantidas, a campanha passou a buscar eleitores que buscam soluções para o trabalho e crédito. Entre as medidas adotadas para atrair esse público, destaca-se a aprovação no Senado para o fim da semana de trabalho de seis dias e a renegociação de dívidas para pequenas empresas e trabalhadores autônomos.
No campo da segurança pública, a campanha também busca contestar a dominância da direita no tema. Diferente do modelo colombiano, onde a política de paz foi central, a estrutura brasileira exige que a esquerda lide com a competência estadual da segurança, buscando conectar as pautas de combate à criminalidade às necessidades das periferias urbanas.
