Próximo presidente enfrentará desaceleração econômica e dívida pública em alta em 2027
Novo governo terá que lidar com o crescimento lento, endividamento das famílias e dívida pública de 82,9% do PIB em 2027.
Por Redação Diário Local
O presidente eleito terá que lidar com a desaceleração econômica prevista para 2027, o alto endividamento das famílias brasileiras e o desequilíbrio das contas públicas. O cenário ocorre em um momento em que a dívida pública atinge 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
Seja Flávio Bolsonaro (PL) ou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o vencedor do segundo turno neste domingo (25), a gestão econômica será um dos principais desafios para quem assumir o cargo em 5 de janeiro. O mercado financeiro deve cobrar ajustes fiscais, enquanto a população demonstra insatisfação com o custo de vida.
Segundo o Banco Central, a dívida bruta do governo geral — que engloba a União, estados, municípios e Previdência — chegou a R$ 11,1 trilhões em agosto. O elevado nível de endividamento dificulta a redução da taxa de juros pelo Banco Central, o que pode encarecer o crédito e desestimular investimentos e o crescimento do país.
Quais são as propostas dos candidatos?
Os candidatos apresentam caminhos distintos para lidar com as contas públicas, mas economistas afirmam que ambos evitam detalhar medidas de cortes de gastos que possam gerar impopularidade. O debate sobre o ajuste fiscal deve ganhar força após o período eleitoral.
Flávio Bolsonaro sinaliza a intenção de realizar um corte de gastos públicos e de impostos. Seus auxiliares indicam uma meta de ajuste fiscal entre 1,5% e 2% do PIB nos primeiros 18 meses de governo, o que representaria uma economia de R$ 190 bilhões a R$ 250 bilhões. No entanto, o senador prometeu manter o reajuste real do salário mínimo e não reduzir os pisos constitucionais da Saúde e da Educação.
O plano de Bolsonaro foca no corte de ministérios, cargos comissionados, despesas administrativas e supersalários do funcionalismo. Já o grupo de Lula aposta no crescimento da economia e no aumento da arrecadação como meios para reduzir a dívida, sem comprometer-se com cortes de despesas. Propostas do pacote eleitoral do atual governo teriam impacto fiscal de quase R$ 200 bilhões até 2030, segundo cálculos da Warren Investimentos.
O que dizem os especialistas?
Para o economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, um governo bem-sucedido será aquele capaz de deixar a economia em condições melhores para crescer nos anos seguintes, e não apenas o que apresentar números positivos nos quatro primeiros anos.
Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, destaca que o eleito precisa de um plano objetivo para as contas públicas "na primeira hora". Ele observa que a agenda do Congresso pode limitar a capacidade de execução de um plano econômico caso este não seja coeso.
Salto também questiona a viabilidade das promessas de Flávio Bolsonaro, afirmando que reduzir a carga tributária mantendo o atual modelo de Estado de bem-estar social pode ser um desafio matemático. Segundo ele, cortes em ministérios e vendas de ativos podem não ser suficientes para gerar o superávit necessário sem mexer em gastos obrigatórios e isenções fiscais.
