Dirigente de ONG que recebeu R$ 5,7 milhões do governo lidera movimento pró-Lula
Organização ligada a João Paulo Mehl recebeu R$ 5,7 milhões de dois ministérios; grupo nega uso de verba pública.
Por Redação Diário Local
O dirigente da organização não governamental (ONG) Coletivo Soylocoporti, João Paulo Mehl, lidera o Movimento Cultura com Lula. A mobilização pede votos para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas não integra a campanha oficial do governo.
O Coletivo Soylocoporti recebeu cerca de R$ 5,7 milhões de dois ministérios desde 2023. Desse total, R$ 3,4 milhões foram repassados pelo Ministério da Cultura (MinC) e R$ 2,3 milhões pelo Ministério das Cidades.
O MinC selecionou a organização para coordenar o Comitê de Cultura do Paraná, com o objetivo de promover ações e atividades de formação cultural na região. Os organizadores do movimento alegam que a iniciativa é voluntária e que não há relação entre os projetos financiados com dinheiro público e a mobilização política.
Participação de agentes públicos
Integrantes do Ministério da Cultura participam do movimento. O secretário-executivo do ministério, Márcio Tavares, atua como coordenador-geral da iniciativa, e Roberta Malvão, ex-coordenadora-geral dos escritórios estaduais do órgão, também integra o grupo.
Em nota, o Ministério da Cultura afirmou que orientou seus agentes públicos a respeitarem a legislação eleitoral. O órgão negou o uso de sua estrutura institucional em atividades político-eleitorais, mas ressaltou que funcionários possuem liberdade para participar de ações políticas em caráter pessoal.
O movimento também reúne membros de grupos e organizações reconhecidos pelo governo como Pontos de Cultura. Segundo dados levantados, o número de Pontos de Cultura chegou a 17 mil no atual governo, e as iniciativas receberam R$ 240 milhões em 2025.
Evento com a primeira-dama
A primeira-dama, Rosângela da Silva, conhecida como Janja, participou de um evento virtual do movimento na segunda-feira (14). A transmissão do encontro contou com mais de 21 mil visualizações.
Durante a atividade, os participantes pediram votos para o presidente e sugeriram estratégias para atrair eleitores indecisos. Janja incentivou os apoiadores a dialogarem com pessoas que ainda não estão convencidas e afirmou que a volta da família Bolsonaro ao poder traria retrocessos para áreas como cultura, saúde e educação.
João Paulo Mehl, que também coordena a Rede Livre — grupo de sites e influenciadores alinhados ao governo —, afirmou que atuar politicamente é um direito de todo brasileiro. Ele declarou que o movimento é aberto e não possui vínculo institucional.
