Partidos de centro evitam candidaturas à Presidência para fortalecer bancadas, diz especialista
Estratégia de não lançar candidaturas presidenciais visa preservar capacidade de negociação com o próximo governo eleito, analisa cientista política.
Por Redação Diário Local
Partidos políticos de centro decidiram não lançar candidaturas à Presidência nas eleições de 2026 para focar no fortalecimento de bancadas parlamentares. A estratégia busca garantir maior poder de negociação com o governo que vencer o pleito, segundo a cientista política Lara Mesquita, professora da FGV-EESP.
A postura, defendida publicamente por lideranças como Baleia Rossi, é apresentada como uma resposta à polarização política no país. Entretanto, Mesquita avalia que a decisão possui uma motivação mais pragmática do que ideológica, funcionando como uma forma de preservar a capacidade de adesão ao governo de plantão.
Segundo a especialista, ao evitar o compromisso com um candidato presidencial específico, esses partidos conseguem concentrar recursos no aumento de seu número de representantes no Congresso. Com uma bancada mais robusta, as legendas passam a ter melhores condições de pautar seus próprios interesses e mediar a agenda junto ao Executivo eleito.
A cientista política ressalta que esse comportamento é comum em democracias multipartidárias, onde grupos de centro tendem a negociar com quem detém o poder após o período eleitoral. Para ela, o foco em deputados garante que o grupo tenha força política real para ocupar espaços de comando e influência.
Interesses regionais e perfis distintos
Além da questão parlamentar, a atuação do grupo é influenciada por interesses regionais que moldam a imagem pública de suas lideranças. Como exemplo, Mesquita citou o senador Ciro Nogueira, que adotaria comportamentos diferentes em diferentes âmbitos.
De acordo com a professora, Nogueira manteria um perfil voltado ao público do Piauí, evitando embates diretos com lideranças como o presidente Lula ou o ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto, no cenário nacional, adotaria uma postura mais alinhada à direita bolsonarista.
Formação de coalizão ocorre após o pleito
Sobre a importância de participar de coligações eleitorais para garantir cargos, a especialista pondera que, no Brasil, a coalizão governista costuma ser estruturada apenas após o resultado das urnas. Embora integrar uma coligação possa servir como um sinal de aliança, Mesquita afirma não haver evidências de que partidos coligados tenham vantagens superiores aos que não integraram grupos eleitorais.
O fator determinante para o peso de cada legenda nas negociações pós-eleitorais é, portanto, o tamanho da bancada de deputados eleita. É o número de parlamentares que define a capacidade de barganha de cada partido no desenho do governo que assumirá em 2027.
