Diário Local
Investigação

PF investiga minuta de contrato de R$ 626 milhões com Ministério da Saúde enviada a ex-assessor de Lula

Documento tratava da venda de 1,2 milhão de frascos de canabidiol sem licitação; investigação envolve empresária e ex-assessor de Lula

Por Redação Diário Local

A Polícia Federal (PF) investiga a existência de uma minuta de contrato de R$ 626 milhões para a venda de 1,2 milhão de frascos de canabidiol ao Ministério da Saúde. O documento foi localizado nos celulares da empresária Roberta Luchsinger e do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, investigado por suspeita de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A investigação aponta que a negociação, que envolveria 36 tipos de medicamentos à base da substância, teria sido articulada para ocorrer sem licitação. Em áudios obtidos pelos investigadores, a empresária discute com o lobista a possibilidade de utilizar o argumento de um cenário de emergência para criar um documento que justificasse a dispensa do processo licitatório.

Como funcionaria o contrato

De acordo com o que foi apurado pela PF, os investigadores encontraram versões de um termo de referência nos aparelhos apreendidos. Esse documento é um manual técnico usado para o planejamento de contratações governamentais, e a suspeita é de que a intenção era entregar o texto pronto ao Ministério da Saúde para publicação direta.

Mensagens de WhatsApp de fevereiro de 2025 mostram que o lobista Antunes solicitou à sua equipe modelos de contratos que já tivessem sido efetivados na pasta da Saúde. O argumento central para viabilizar o negócio era a formação de um estoque governamental para atender pacientes que tivessem direito ao medicamento por via judicial.

A investigação também acompanha as movimentações de Antunes, que teria viajado aos Estados Unidos e à Colômbia em busca de fornecedores do produto. O valor de R$ 626 milhões foi confirmado por uma testemunha que trabalhava para a empresa World Cannabis, vinculada ao lobista, em depoimento à Polícia Federal.

Posicionamento dos envolvidos

O Ministério da Saúde afirmou, em nota, que nunca houve possibilidade de compra de canabidiol, uma vez que o produto não está incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A pasta declarou que não compra, não fornece o produto e não possui qualquer contrato ou discussão para a oferta da substância na rede pública.

O Supremo Tribunal Federal (STF) investiga a atuação de Luchsinger, Antunes e de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, junto ao governo federal. As defesas de Antunes, Luchsinger e de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, não enviaram manifestação até o momento.

O ex-chefe de gabinete disse a interlocutores que o recebimento do arquivo foi inadequado, mas negou que tenha ocorrido favorecimento. Já a defesa de Lulinha afirmou que confia nos meios formais de apuração e que se manifestará nos autos após o acesso completo aos dados obtidos pelas quebras de sigilo.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.