Diário Local
Política

Tarifa de 25% de Trump sobre produtos do Brasil vira eixo de disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro

Governo americano aplicará sobretaxa de 25% em itens brasileiros após investigação; campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro travam guerra de narrativas.

Por Davy Albuquerque

A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos exportados pelo Brasil deve se tornar um dos eixos centrais da disputa presidencial de 2026. As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro pretendem transformar a medida e seus efeitos econômicos em um ponto de confronto direto entre os adversários.

O presidente americano, Donald Trump, determinou a sobretaxa após acatar recomendação do Escritório do Representante de Comércio (USTR). A decisão, anunciada na noite de quarta-feira (15), é fruto de uma investigação sobre políticas brasileiras que, segundo o governo dos Estados Unidos, prejudicam o comércio norte-americano. A previsão é que as novas tarifas entrem em vigor nesta quarta-feira (22).

Uma lista de produtos brasileiros ficará de fora da taxação, o que inclui itens como carne, café e suco de laranja.

Como as campanhas pretendem usar o tema?

Integrantes das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro admitem que o assunto será explorado intensamente. No Palácio do Planalto, a avaliação é de que a tarifa tem motivação política e foi estimulada por aliados da família Bolsonaro. A estratégia do governo é associar a sobretaxa à atuação do grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O entorno de Lula pretende intensificar o uso do termo “Tariflávio” e reforçar críticas à atuação de figuras como Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, argumentando que exerceram pressão em Washington para a adoção das sanções. O Partido dos Trabalhadores (PT) também enviou orientações à militância, na última quinta-feira (16), para explorar o tema nas redes sociais.

Do outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro deve adotar a estratégia de responsabilizar o governo Lula pela decisão. A equipe do senador afirma que a sobretaxa é consequência da condução da política externa pelo Planalto e pretende utilizar a expressão “Partido do Tarifaço” para se referir ao PT.

A campanha de Flávio defende que o senador atuou justamente para tentar impedir a aplicação das tarifas durante sua viagem aos Estados Unidos, alegando que a decisão de Trump decorreu de atritos diplomáticos gerados por Lula com o governo americano.

O que dizem as pesquisas de intenção de voto?

O cenário de disputa ocorre em meio a novos dados de pesquisas de intenção de voto. Segundo levantamento da Genial/Quaest, Lula lidera o primeiro turno com 40% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 28%.

Em um eventual segundo turno, a pesquisa aponta 45% para Lula e 37% para Flávio Bolsonaro. Entre os eleitores independentes, Lula lidera com 30%, enquanto Flávio Bolsonaro possui 15%. A pesquisa também indica que a rejeição de Flávio Bolsonaro subiu de 52% para 57% entre abril e julho.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.