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Justiça Eleitoral

TSE determina remoção de vídeo que associa Flávio Bolsonaro ao PCC

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral entendeu que conteúdo de influenciador configura propaganda eleitoral antecipada negativa.

Por Davy Albuquerque

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou a remoção imediata de um vídeo que associa o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à facção criminosa PCC. A decisão, proferida nesta quinta-feira (16/07), ocorreu após ação do Partido Liberal contra o conteúdo publicado pelo influenciador Thiago dos Reis, do canal Plantão Brasil.

O magistrado entendeu que a gravação configura propaganda eleitoral antecipada negativa ao atribuir ao senador a prática de crimes sem respaldo em elementos comprovados. Com isso, foi estabelecido o prazo de 24 horas para a retirada do vídeo e da publicação do site do canal, sob pena de multa.

O conteúdo em questão, publicado em 26 de junho, possui o título que menciona supostas ligações entre a família Bolsonaro e a organização criminosa. Na gravação, o influenciador utilizava investigações da Polícia Civil de São Paulo (PCSP) para sustentar as afirmações.

As investigações mencionadas envolvem a produtora Go Up, responsável pela produção do filme 'Dark Horse', que narra a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O vídeo tentava traçar um elo entre o senador e a referida produtora e a facção criminosa.

Ao analisar o pedido de remoção, o ministro Kassio Nunes Marques afirmou que as investigações em curso sobre a produtora não permitem estabelecer qualquer vínculo entre Flávio Bolsonaro e o PCC. Segundo a decisão, a publicação ultrapassa os limites da crítica política e da liberdade de expressão.

Para o presidente do TSE, o material não representa uma mera interpretação política ou manifestação irônica sobre fatos públicos. O magistrado destacou que o objetivo da publicação era transmitir ao eleitor a ideia de que o senador teria cometido crimes patrimoniais sem qualquer comprovação.

A decisão aponta ainda que o conteúdo divulga fatos "notoriamente inverídicos ou descontextualizados". De acordo com o TSE, a disseminação desse tipo de informação possui potencial para comprometer a integridade do processo eleitoral.

A defesa do senador Flávio Bolsonaro sustentou que o conteúdo divulga informações falsas sobre o parlamentar. Os advogados argumentaram que não existem fatos que liguem o senador a atividades ilícitas.

Os representantes do senador reforçaram que não há qualquer indiciamento formal ou denúncia contra ele. Também destacaram a ausência de conclusões de investigação que o relacionem a crimes de lavagem de dinheiro ou evasão de divisas.

A defesa pontuou que não existe relação entre Flávio Bolsonaro e os crimes de peculato ou associação criminosa. O argumento foi utilizado para rebater as acusações feitas no vídeo do influenciador.

Entenda a decisão do TSE

O entendimento do magistrado é de que a publicação não se limita a questionar a atuação pública do senador ou a cobrar esclarecimentos. A Justiça eleitoral considerou que o objetivo principal era a disseminação de desinformação.

O caso foi levado ao tribunal pelo Partido Liberal para cessar o que considerou uma acusação infundada. A ordem de remoção abrange tanto o vídeo quanto o texto de apoio publicado na plataforma do canal.

O ministro Kassio Nunes Marques reforçou que a atribuição de crimes sem provas fere as regras do processo democrático. A decisão busca impedir que informações sem base factual influenciem o debate eleitoral.

O prazo para o cumprimento da ordem de retirada do conteúdo termina em 24 horas. Caso o influenciador ou o canal não cumpram a determinação, será aplicada a multa estipulada pelo tribunal.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.