Diário Local
Investigação

Polícia Federal investiga elo entre filme sobre Bolsonaro e rede de lavagem de dinheiro do PCC

Agentes apuram se pagamentos da empresa usada para financiar produção cinematográfica foram destinados a rede de lavagem de dinheiro do crime organizado.

Por Davy Albuquerque

A Polícia Federal (PF) abriu uma nova frente de investigação para apurar o possível elo entre a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, e a empresa ACX ITC Tecnologia, apontada como integrante de uma rede de lavagem de dinheiro utilizada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

O foco dos investigadores é o pagamento de R$ 28 milhões realizado pela empresa Entre Investimentos e Participações para a ACX ITC Tecnologia. Os depósitos foram efetuados entre fevereiro e abril de 2025, período que coincide com o financiamento da obra cinematográfica.

A investigação teve origem em um inquérito do Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) da Polícia Civil de São Paulo (PCSP), que foi encaminhado à Polícia Federal. Os dados foram extraídos de apurações da Operação Saturno, deflagrada pela Polícia Civil paulista em setembro passado.

O que a Polícia Federal apura sobre o financiamento?

A Polícia Federal busca entender a dinâmica financeira envolvendo a Entre Investimentos e a ACX ITC Tecnologia. Os agentes avaliam se a estrutura de lavagem de dinheiro utilizada pelo grupo criminoso foi compartilhada com a empresa usada para financiar o filme, sem que houvesse necessariamente um negócio direto entre as partes.

Essa análise considera a chamada 'economia do crime', onde diferentes clientes utilizam a mesma rede para movimentar recursos. Para esclarecer a questão, os investigadores utilizam quebras de sigilo bancário e fiscal da Entre Investimentos, já obtidas pela Polícia Civil de São Paulo.

Caso os dados atuais sejam insuficientes, a Polícia Federal poderá solicitar novas quebras de sigilo às instituições financeiras. Para isso, será necessária a autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que é o relator do caso.

Valores e acordos em questão

O inquérito também analisa um acordo de R$ 134 milhões que teria sido firmado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o senador Flávio Bolsonaro. De acordo com as informações apuradas, os valores seriam pagos em dólares, em parcelas entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026.

Até o momento, foram quitados R$ 61 milhões, com repasses realizados entre fevereiro e maio de 2025. O dinheiro saía da Entre Investimentos e era destinado a um fundo nos Estados Unidos ligado ao deputado federal Eduardo Bolsonaro.

A Polícia Federal investiga se todo o montante negociado foi destinado ao filme ou se parte dos recursos foi utilizada para outras finalidades relacionadas ao grupo político. A assessoria do senador Flávio Bolsonaro não comentou as investigações até o momento.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.