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Supremo Tribunal Federal

Vorcaro buscou apoio de Gilmar Mendes em disputa envolvendo R$ 145 bilhões do setor sucroalcooleiro

Reunião ocorreu enquanto ex-cunhado do ministro mantinha contrato de R$ 500 mil mensais com empresa ligada ao banqueiro

Por Redação Diário Local

Daniel Vorcaro procurou o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para solicitar apoio em uma disputa bilionária que envolvia o Banco Master. A reunião ocorreu no gabinete do magistrado em 11 de abril de 2024.

Na época, o banco possuía bilhões de reais em créditos de usinas do setor sucroalcooleiro. A Advocacia-Geral da União (AGU) estima que o impacto financeiro do conjunto dessas disputas pode atingir R$ 145 bilhões caso as usinas obtenham vitória nas ações.

Apesar da aproximação, o ministro Gilmar Mendes votou contra os interesses do banco nos processos citados. Um dos casos era o da Destilaria Alcídia S/A, cujos créditos haviam sido adquiridos pelo Master. O julgamento terminou definitivamente em outubro de 2025.

O que diz o gabinete do ministro?

Em nota divulgada após as revelações, o gabinete de Gilmar Mendes confirmou a realização da audiência no dia 11 de abril de 2024, às 18h, com a participação de advogados do Banco Master. O gabinete afirmou que o ministro não sabia de tratativas privadas realizadas entre Vorcaro e o ex-senador Chiquinho Feitosa.

A nota ressaltou que receber advogados em audiência faz parte das prerrogativas da categoria. O magistrado também listou decisões em que se posicionou contra teses de interesse do banco, citando julgamentos envolvendo a Raízen e a Jalles Machado.

Relação com Chiquinho Feitosa

A investigação apontou que o ex-senador Chiquinho Feitosa, que era cunhado de Gilmar Mendes até novembro de 2025, mantinha um contrato de R$ 500 mil mensais com a Super Empreendimentos, empresa vinculada a Vorcaro. Conversas extraídas pela Polícia Federal indicam que Feitosa tratava de assuntos de interesse do banqueiro no STF, como precatórios e regras para cursos de Medicina.

Chiquinho Feitosa afirmou que prestou consultoria à Super Empreendimentos por um curto período e negou ter intermediado encontros entre funcionários do banco e o ministro. Ele declarou que não sabia que o advogado Bruno Bianco atuava em questões de interesse de Vorcaro.

Bruno Bianco afirmou que exerce atividade regular de advocacia de forma independente e que representa clientes em discussões jurídicas que interessam a diversas partes, mas negou ter integrado os quadros do Banco Master.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.