Pesquisas mostram que calor excessivo afeta agressividade e cognição em humanos e animais
Estudos indicam que ondas de calor reduzem capacidade mental, aumentam comportamentos agressivos e afetam até insetos como abelhas, com impacto potencial na agricultura.
Por Diário Local
Pesquisas científicas indicam que o calor excessivo afeta não apenas humanos, mas todas as espécies animais, reduzindo capacidade mental e aumentando agressividade. O fenômeno tem raízes históricas: no início do século XIX, o estatístico belga Adolphe Quetelet já havia observado um pico de crimes violentos na França durante o verão.
Estudos posteriores confirmaram a relação entre temperaturas elevadas e diversos comportamentos prejudiciais. Pesquisadores encontraram vínculos entre forte calor e aumento de violência armada, hospitalizações por problemas mentais, suicídios e até maior incidência de jogos de azar. Cães também tendem a morder humanos com mais frequência em dias mais quentes, mesmo descontando-se o fato de as pessoas saírem mais às ruas com seus animais de estimação quando o clima está mais agradável.
Em ambientes escolares sem climatização, o desempenho dos alunos é prejudicado. Diversas espécies, incluindo peixes e humanos, apresentam maior agressividade durante ondas de calor. Um estudo realizado na China em 2025 constatou que até serpentes e gatos se tornaram mais agressivos em condições de canícula.
Impacto em insetos e na produção agrícola
Insetos como as abelhas sofrem efeitos particularmente severos do calor excessivo. Sem mecanismos naturais de ajuste de temperatura corporal, as abelhas ficam desorientadas sob forte calor. Seus cérebros superaquecem e, para se resfriar, elas borrifam água em suas cabeças. Mesmo com essa estratégia, perdem o rumo e não conseguem localizar as flores certas para colher o pólen.
Esse impacto nas abelhas representa uma ameaça significativa: sem a polinização realizada por esses insetos, as culturas agrícolas sofrem queda na produção. Para um país como o Brasil, grande produtor agrícola, as implicações são preocupantes, especialmente considerando uma população humana potencialmente mais agressiva e enfrentando escassez alimentar.
Redução da capacidade de adaptação comportamental
Amanda Ridley, pesquisadora do tema, aponta que com ondas de calor mais fortes e longas, a capacidade mental das espécies será reduzida. Conforme afirmou, "a capacidade de adaptar seu comportamento é ainda mais essencial num clima que muda". A pesquisadora destaca um cenário preocupante: humanos com menor capacidade mental, mais agressivos, resistentes a mudar comportamentos e enfrentando a concorrência da inteligência artificial.
