Super El Niño impulsiona recorde de internações por dengue em Minas Gerais
Entre novembro de 2023 e abril de 2024, Minas Gerais registrou quase 26 mil internações por dengue durante o fenômeno climático.
Por Redação Diário Local
O fenômeno climático Super El Niño, registrado entre as temporadas de 2023 e 2024, coincidiu com um volume recorde de casos, internações e mortes por dengue em Minas Gerais. Entre novembro de 2023 e abril de 2024, o estado registrou 25.995 internações pela doença, um patamar 550,5% superior ao mesmo período do biênio 2018-2019, quando não houve a influência do fenômeno.
A ocorrência do fenômeno também alterou o cronograma da epidemia em território mineiro. O pico de internações, que costumava ocorrer em abril, foi antecipado para o mês de março durante o último período de impacto do Super El Niño.
Qual o impacto na Região Sudeste?
A Região Sudeste representou 50,4% das internações por arboviroses (doenças transmitidas por vetores, como o mosquito) entre 2023 e 2024. Dentro desse grupo, Minas Gerais respondeu por 53,5% dos casos, o que equivale a 27% do volume total de internações do país.
Outros estados do Sudeste também registraram ampliações de casos, segundo nota técnica da Fiocruz: Rio de Janeiro (+73,3%), São Paulo (+65,5%) e Espírito Santo (+59,5%). No Rio de Janeiro, o impacto foi considerado crítico, com índices elevados também para insuficiências renais, cardíacas e respiratórias.
Em Minas Gerais, as internações relacionadas a insuficiências renais e cardíacas representaram 24,8% dos casos do Sudeste, enquanto as insuficiências respiratórias somaram 32,4% do total regional.
Como o clima afeta a saúde?
Relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Meteorológica Mundial alertam que o estresse térmico causado por eventos como o El Niño pode afetar condições cardíacas. O aumento da temperatura induz a vasodilatação e exige um esforço compensatório do coração, podendo desencadear eventos isquêmicos em pessoas com doenças pré-existentes.
A desidratação em ondas de calor também é um fator de risco para o funcionamento renal. Segundo publicações médicas, a exposição repetida ao calor extremo e à desidratação pode levar a inflamações e à doença renal crônica.
No que diz respeito às vias aéreas, uma nota técnica do Ministério da Saúde e da Fiocruz adverte que a combinação de períodos de seca, baixa umidade e queimadas potencializa o estresse respiratório, elevando o número de casos de insuficiência respiratória aguda.
O que o estado está fazendo?
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais informou que estruturou o Plano de Enfrentamento ao El Niño. O objetivo é fortalecer a vigilância epidemiológica e a capacitação das equipes de atenção primária.
O plano prevê protocolos para o manejo de síndromes respiratórias, planos de resposta para secas e enchentes, além da abertura de salas de hidratação venosa. A pasta também reforça a importância de manter as coberturas vacinais altas para reduzir complicações, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
