Previsão de El Niño intenso alerta autoridades para aumento de dengue e problemas respiratórios
Fenômeno com 95% de probabilidade de ocorrer entre outubro e novembro pode elevar internações por arboviroses e problemas cardíacos
Por Redação Diário Local
A previsão de um fenômeno El Niño especialmente intenso, com 95% de probabilidade de ocorrência entre outubro e novembro de 2026, acendeu o alerta entre as autoridades sanitárias brasileiras. O fenômeno climático está associado à escalada de doenças como dengue, zika e chikungunya, além de crises cardiorrespiratórias e insuficiências cardíacas e renais.
O alerta baseia-se em dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos. Historicamente, os efeitos do fenômeno sobrecarregam o sistema de saúde. Nos períodos de super El Niño entre 2015/2016 e 2023/2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou um aumento significativo de internações por esses quadros clínicos em 13 estados brasileiros.
Entre as unidades da federação que apresentaram maior número de internações e ampliação de casos durante o evento de 2023 e 2024, figuram Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Em Minas Gerais, a dengue foi o fator de maior impacto nos últimos episódios climáticos, com Belo Horizonte ocupando a nona posição de maior criticidade em sua região metropolitana. O acúmulo de lixo e entulho em bairros como o Jardim Felicidade, na região Nordeste da capital, é apontado como um risco para a formação de criadouros do mosquito Aedes aegypti.
Quais são os riscos para a saúde?
O aumento das temperaturas e das chuvas em certas regiões, somado a períodos de seca em outras, pode estimular o armazenamento de água e a formação de criadouros para o mosquito Aedes aegypti. Este inseto é o transmissor de arboviroses como dengue, zika e chikungunya.
Além das doenças transmitidas por vetores, o fenômeno tem relação com o agravamento de condições crônicas. O Ministério da Saúde aponta que os impactos climáticos podem levar ao aumento de diagnósticos de insuficiências cardíaca, renal e respiratória na população devido às mudanças ambientais.
Impactos regionais e projeções
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil poderá registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027, segundo projeções desenvolvidas pelo InfoDengue/Fiocruz. O cenário de alerta ocorre após um ano de recordes, como em 2024, quando o país registrou mais de 6,5 milhões de casos e 6,3 mil mortes pela doença.
Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em nota técnica de julho de 2026, indicam que o semestre atual pode terminar com alta de casos de arboviroses em comparação a anos com padrões climáticos neutros. As estimativas apontam crescimento de 61,4% na região Sudeste, 14,3% no Norte e 19,9% no Sul.
O Ministério da Saúde recomenda que estados e municípios intensifiquem as ações de vigilância, realizem bloqueios de transmissão e reorganizem as atividades de combate às endemias. A colaboração dos moradores, por meio da eliminação de focos de água parada em residências, é considerada fundamental para o controle do cenário.
