Felicidade e sentido de vida são conceitos distintos, explica psicólogo
Estudo aponta que sentir-se feliz nem sempre significa viver uma vida com propósito ou significado.
Por Redação Diário Local
Sentir-se feliz o tempo todo não é o único critério para definir uma vida de sucesso, segundo o psicólogo Joel Wong, da Indiana University, nos Estados Unidos. O especialista defende que, embora felicidade e sentido sejam aspectos complementares, eles podem levar a experiências de vida distintas e até opostas.
Para Wong, é perfeitamente possível que uma pessoa sinta felicidade e, ainda assim, sinta-se perdida. Em contrapartida, é possível atravessar processos de luto mantendo um forte senso de propósito. A distinção ocorre porque a felicidade costuma estar ligada a emoções agradáveis e satisfação geral, enquanto o sentido opera em outro registro.
O conceito de sentido de vida é estruturado sobre três eixos fundamentais: a percepção de que a vida é coerente internamente, a existência de um propósito claro e a sensação de que a existência impacta algo além de si mesma. Essa base teórica foi consolidada pelos psicólogos Login George e Crystal Park.
As pesquisas mostram que os fatores que impulsionam cada dimensão são diferentes. Enquanto a felicidade aparece frequentemente ligada ao autocuidado, o sentido de vida está associado ao ato de ajudar outras pessoas. Estudos indicam que quem enfrenta mais dificuldades tende a ser menos feliz, mas relata um sentido de vida mais elevado.
Quais são os tipos de vida identificados?
Com base em estudos realizados por Roy Baumeister e colaboradores, o psicólogo organizou uma matriz que combina os níveis de felicidade e sentido para mapear quatro perfis de existência. O primeiro cenário é o ideal, no qual a pessoa vivencia altos níveis de ambos os indicadores.
O segundo perfil é a 'vida agradável', caracterizada por alta felicidade, mas baixo sentido, comum em quem foca prioritariamente em viver o presente. O terceiro é a 'vida vazia', definida pelo baixo nível de ambos os elementos, o que gera desconexão e ausência de rumo.
O quarto tipo é chamado de 'vida cara', onde o sentido é alto, mas a felicidade é baixa. Neste modelo, não há uma ausência de alegria por falta de opção, mas um sacrifício consciente em nome de valores superiores, como o cuidado com um familiar doente ou a luta por justiça social.
Para o especialista, quem vive sob esse perfil prioriza o propósito em vez do conforto pessoal, tratando a vivência como uma vocação. Wong defende que buscar o que realmente importa e se dedicar a algo maior do que o próprio bem-estar é uma das experiências mais profundas da condição humana.
