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Saúde

Brasil inicia rastreamento de diabetes tipo 5 associado à desnutrição

Iniciativa foca nas regiões Norte e Nordeste para identificar casos confundidos com o tipo 1 e evitar riscos de excesso de insulina.

Por Redação Diário Local

O Brasil iniciará o rastreamento de pacientes com diabetes tipo 5, uma medida considerada inédita no país e em grande parte do mundo. A confirmação foi feita pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) nesta quarta-feira (26), durante um congresso realizado no Rio de Janeiro.

O foco inicial do monitoramento serão as regiões Norte e Nordeste do país, que apresentam os maiores índices de pessoas em situação de insegurança alimentar e desnutrição. Esse tipo de diabetes é desencadeado por problemas nutricionais e costuma ser confundido com o diabetes tipo 1.

Especialistas alertam que muitos pacientes com o tipo 5 podem estar recebendo o tratamento inadequado para o tipo 1, o que gera riscos à saúde. Como o tipo 5 ocorre em pessoas magras e geralmente abaixo dos 30 anos, o diagnóstico acaba sendo equivocado devido à semelhança de sintomas e idade.

Por que o tipo 5 é diferente dos outros?

Diferente do tipo 2, que é associado à resistência à insulina e à obesidade, o tipo 5 tem como característica a ausência de resistência à insulina. Ele resulta de uma deficiência nas células que produzem o hormônio devido à carência de nutrientes.

De acordo com a médica Hermelinda Pedrosa, membro da SBD e vice-presidente da Federação Internacional de Diabetes (IDF), o tipo 5 não provoca cetoacidose, uma emergência comum em outros quadros. A principal diferença é que o paciente com este tipo não necessita de uma reposição de insulina tão alta quanto a do tipo 1.

O uso de doses excessivas de insulina em quem possui o tipo 5 pode levar à hipoglicemia (baixa de açúcar no sangue). Em situações graves, essa queda pode provocar confusão mental, convulsões, perda de consciência, coma e morte.

Como será feito o controle da doença?

A estratégia de rastreamento e coleta de dados visa desenvolver novas formas de tratamento. Embora ainda existam poucas evidências sobre a remissão da doença, o ajuste na alimentação, combinado com a aplicação de insulina, pode ajudar a retomar o controle glicêmico do paciente.

A implementação da iniciativa envolve a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a IDF e a Fiocruz, além de prever estudos com a participação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A IDF estima que o Brasil possua cerca de 16,6 milhões de adultos com diabetes. Desse total, o tipo 1 afeta aproximadamente 500 mil pessoas, enquanto o tipo 2 representa mais de 90% dos casos registrados pela SBD.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.