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Comportamento

Infidelidade diz mais sobre quem trai do que sobre a relação, diz psicóloga

Segundo a psicóloga Mara Lúcia Madureira, a traição está ligada à regulação da autoestima e ao medo da rejeição.

Por Redação Diário Local

A infidelidade é um ato deliberado que revela mais sobre as necessidades subjetivas de quem trai do que sobre a qualidade da relação conjugal. Segundo a psicóloga cognitivo-comportamental Mara Lúcia Madureira, o envolvimento com uma terceira pessoa não ocorre necessariamente por insatisfação no relacionamento, mas pela busca de confirmação externa por parte do indivíduo infiel.

A profissional explica que a traição está frequentemente ligada ao descompromisso com o vínculo, à regulação da autoestima e ao medo da rejeição. Para Madureira, a busca por novos parceiros pode funcionar como uma rota de fuga da intimidade ou como uma forma de proteção contra a dependência emocional.

De acordo com a análise da psicóloga, a insegurança pode levar o indivíduo a realizar cálculos emocionais complexos. Quem não se sente digno de ser amado pode acabar subtraindo o afeto da relação principal para depositá-lo em situações onde o risco de rejeição não represente uma perda significativa.

Madureira aponta que sentir-se desejado por terceiros pode reduzir, de forma temporária, a insegurança e elevar uma autoestima frágil. Esse comportamento oferece uma espécie de salvaguarda emocional contra a possibilidade de um eventual abandono.

Por que ocorre a infidelidade?

A especialista destaca um paradoxo no comportamento humano: o medo de perder quem se ama pode motivar ações que ameaçam o próprio vínculo que se deseja preservar. Esse processo é descrito como um ciclo de autoprofetização, em que o sujeito testa os limites do outro até a ruptura.

Ao provocar a quebra do relacionamento, a pessoa acaba confirmando suspeitas de abandono que, muitas vezes, eram infundadas. O comportamento torna-se uma forma de garantir que a separação ocorra sob o controle do próprio indivíduo.

Além das questões de insegurança, a psicóloga menciona a existência de perfis com baixa empatia. Para esses indivíduos, os parceiros são vistos como objetos para atender demandas pessoais ou manter aparências sociais e papéis familiares.

Nesses casos, o acordo de fidelidade é tratado como um roteiro sem importância. Para esse perfil, as convenções sociais e o sacrifício do outro não impedem a busca constante pela infidelidade.

A assimetria na distribuição da culpa

Madureira também discute um padrão de transferência de responsabilidade durante episódios de traição. Ela observa que, frequentemente, a responsabilidade moral é retirada do homem e transferida para a mulher.

O argumento comum é que a parceira teria priorizado o trabalho, os filhos ou a própria vida, falhando em manter o desejo do companheiro. Assim, a mulher passa a ser vista como a responsável pela manutenção do interesse do parceiro.

A profissional aponta que essa dinâmica reflete uma expressão da moral patriarcal. Enquanto a traição masculina é apresentada como algo guiado por necessidades inevitáveis, a feminina é lida como uma falha de caráter.

Essa assimetria resulta em julgamentos distintos para comportamentos semelhantes. A análise da psicóloga sugere que a transgressão privada gera uma cadeia de eventos destrutivos para todos os envolvidos.

Por fim, a especialista pondera que as relações demandam lealdade para que haja paz. A quebra de vínculos afetivos e o descumprimento de consequências podem causar danos profundos e devastadores no ambiente íntimo.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.