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Saúde

Fetiche de remoção parcial de órgão genital preocupa especialistas e médicos

Prática que envolve glansectomia e penectomia desperta alertas sobre riscos de autolesão e danos físicos graves

Por Davy Albuquerque

A prática de buscar a remoção cirúrgica de partes do pênis tem despertado atenção de médicos e especialistas devido aos riscos envolvendo a saúde física e mental. O fenômeno, que envolve procedimentos como a glansectomia (remoção da glande) e a penectomia (remoção de parte do órgão), tem encontrado espaço em comunidades on-line.

Em plataformas como o Reddit, comunidades dedicadas a essas fantasias já somam milhares de membros. Enquanto um grupo voltado à glansectomia conta com cerca de 2,3 mil participantes, outro focado em penectomia reúne aproximadamente 3,5 mil pessoas.

Quais são os riscos para a saúde?

A realização desses procedimentos fora de contextos médicos estritos oferece perigos imediatos. A sexóloga Ness Cooper aponta que a prática pode resultar em infecções graves, dores nos nervos e perda de sangue significativa.

O urologista Jeff Foster destaca que a glansectomia é uma operação séria, comumente indicada para tratar câncer peniano. Quando realizada por outros motivos, pode acarretar o encurtamento do pênis e comprometer a função sexual futura do indivíduo.

O que motiva esse comportamento?

Segundo a sexóloga Ness Cooper, as motivações para esse interesse variam e podem incluir o fetiche por castidade, o desejo por uma estética corporal mais lisa ou até o chamado fetiche médico, onde há excitação com procedimentos de saúde extremos.

Outros fatores mencionados incluem a cultura da nulificação genital e influências da própria mídia, que historicamente removeu ou editou detalhes de órgãos genitais para evitar censura erótica. A especialista ressalta que, para a maioria, o interesse permanece no campo do imaginário.

Alerta sobre saúde mental

Especialistas alertam que o desejo voluntário de se submeter a tais cortes pode ser um indicativo de problemas de saúde mental relacionados à automutilação. O urologista Jeff Foster reforça que tais impulsos devem ser tratados com cautela.

A psicoterapeuta Katherine Cavallo complementa que, embora fantasias sexuais por si só não sejam um problema, elas se tornam preocupantes se causarem angústia ou se houver impulsos de agir de forma a causar danos a si mesmo ou a terceiros. Nesses casos, a recomendação é buscar avaliação profissional.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.