Projeto utiliza aeronave para levar equipe médica e tratamento para endometriose a diferentes estados
Iniciativa privada utiliza aeronave para transportar equipe multidisciplinar e ampliar acesso a cirurgias especializadas no Brasil
Por Davy Albuquerque
Um projeto de iniciativa privada está utilizando aeronaves para transportar equipes médicas multidisciplinares entre diferentes estados brasileiros para realizar tratamentos especializados de endometriose. A iniciativa busca ampliar o acesso a cirurgias de alta complexidade e promover a educação médica sobre a condição.
O modelo de atuação consiste em deslocar a equipe de especialistas até a localização da paciente, em vez de solicitar que a mulher se desloque para grandes centros urbanos. Segundo o cirurgião ginecológico Igor Chiminacio, o objetivo é garantir que o padrão de atendimento, as técnicas cirúrgicas e a filosofia de tratamento sejam mantidos de forma idêntica, independentemente da cidade onde a operação seja realizada.
Atualmente, as atividades do projeto ocorrem em Brasília (DF), São Paulo (SP) e nas cidades de Curitiba e Pato Branco, no Paraná (PR). Há uma previsão de expansão para o Rio de Janeiro e para o Maranhão, com o intuito de levar atualização científica para capitais das regiões Norte e Nordeste do país.
Como funciona a equipe médica?
Para garantir a padronização técnica e a segurança nos procedimentos, a iniciativa transporta uma equipe formada por três a cinco profissionais. O grupo inclui cirurgiões ginecológicos, cirurgiões do aparelho digestivo, médicos auxiliares e instrumentadores cirúrgicos.
A estrutura busca atender à necessidade de uma equipe integrada, uma vez que cirurgias de alta complexidade exigem a sincronia entre anestesistas, instrumentadores e cirurgiões que conheçam profundamente a técnica aplicada pelo grupo.
O desafio do diagnóstico
A endometriose é uma condição que, segundo o Ministério da Saúde, atinge entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva. O diagnóstico precoce é um dos grandes desafios, podendo levar cerca de 10 anos para ser confirmado devido à falta de conhecimento especializado sobre a doença.
Além das cirurgias, o projeto dedica-se à educação médica para atualizar conceitos sobre a doença à luz de evidências científicas. Em parceria com o WHR (Women’s Health Research), são promovidos cursos, palestras e treinamentos para profissionais da saúde.
Uma das próximas ações previstas ocorrerá no Maranhão, focada em educação em saúde para profissionais e mulheres da região, visando aumentar as chances de diagnóstico precoce e o conhecimento sobre a patologia.
