Comprimido único com três remédios pode aumentar adesão ao tratamento da pressão alta
Estudo aponta que combinação de medicamentos em um único comprimido pode facilitar a rotina de pacientes com pressão alta.
Por Redação Diário Local
Um novo modelo de tratamento pode ajudar a aumentar a adesão de pacientes ao combate à hipertensão (pressão alta). Um estudo realizado por pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein avaliou a eficácia de um comprimido único que combina três medicamentos, visando simplificar a rotina de quem sofre com a doença e reduzir o risco de complicações como infarto e AVC.
A hipertensão arterial é uma condição crônica que exige acompanhamento constante. Segundo relatório do Ministério da Saúde publicado em julho, a prevalência da doença em adultos no Brasil é de 29,7%. Embora 80,7% desses casos sejam tratados com remédios, uma parcela significativa de pacientes apresenta irregularidade no uso das medicações.
O cardiologista Vagner Madrini Junior, pesquisador na ARO (Academic Research Organization) do Einstein, explica que grande parte dos remédios é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, o principal gargalo é a dificuldade na adesão, já que muitos pacientes precisam tomar várias classes de medicamentos diferentes e acabam esquecendo ou abandonando a terapia.
Como funciona o novo tratamento?
O ensaio clínico, desenvolvido em colaboração com a Libbs Farmacêutica, a Universidade São Francisco (USF) e o Centro Universitário Cesmac, testou a combinação de candesartana, clortalidona e anlodipino em um só comprimido. A pesquisa é a primeira no Brasil a utilizar a clortalidona em uma formulação combinada desse tipo.
Os resultados, publicados no periódico JACC: Advances, mostraram uma redução média da pressão sistólica de 22,6 mmHg após 12 semanas de uso da pílula única. No grupo de controle, que utilizou uma combinação de outros componentes (valsartana, hidroclorotiazida e anlodipino), a queda foi de 18,2 mmHg.
A cardiologista Patrícia Oliveira Guimarães, que atuou na condução do estudo, detalha que a queda da pressão foi importante logo no início e se manteve estável durante o acompanhamento. O estudo também revelou que 69,3% dos pacientes que usaram a nova combinação atingiram os níveis de pressão recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), contra 59,8% do grupo convencional.
O tratamento é eficaz para todos os perfis?
A equipe de pesquisadores também analisou se fatores como sexo biológico e raça influenciavam os resultados. Os achados foram apresentados durante o Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), realizado em agosto, na Alemanha.
De acordo com o estudo, mulheres apresentaram uma redução média de 23,9 mmHg na pressão sistólica, enquanto nos homens a redução foi de 18,7 mmHg. Em relação à raça, os dados mostraram que pacientes brancos, negros e pardos responderam de maneira semelhante ao tratamento, com uma redução adicional média de 5,48 mmHg em comparação à terapia comum.
Mesmo em pacientes classificados com alto risco cardiovascular, a estratégia combinada em comprimido único demonstrou ser vantajosa. Patrícia Guimarães reforça que, independentemente do grupo, a terapia tripla combinada apresentou uma boa resposta clínica para o controle da pressão alta. Procure avaliação médica.
