Médica critica qualidade de ensino e projeta fechamento de faculdades após sanção da 'OAB da Medicina'
Ludhmila Hajjar defende avaliações durante a graduação para evitar que profissionais se formem sem experiência prática necessária
Por Redação Diário Local
A médica e professora Ludhmila Hajjar criticou a qualidade da formação de novos médicos no Brasil e defendeu a criação de mecanismos para avaliar estudantes durante a graduação. As declarações foram feitas durante a cerimônia de sanção da lei que torna a aprovação no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) um requisito para a obtenção do registro profissional.
A nova legislação, apelidada de “OAB da Medicina”, busca assegurar a capacitação técnica dos profissionais. Durante o evento, ocorrido nesta sexta-feira (6), Hajjar projetou que a implementação do modelo poderá resultar no fechamento de escolas médicas nos próximos anos devido à falta de qualidade.
A médica relatou que, em sua experiência como docente, tem observado profissionais que concluem o curso sem experiência prática essencial. Segundo ela, há casos de médicos formados que nunca realizaram atendimentos de emergência, como paradas cardíacas, pacientes em choque circulatório ou casos que exigiam ventilação mecânica.
Hajjar também apontou falhas na estrutura de diversas instituições de ensino superior. Ela criticou faculdades que não dispõem de hospitais adequados para a prática ou de professores com qualificação necessária, como doutorado, para o ensino. A professora afirmou que, nesses cenários, o aluno acaba sendo a principal vítima da formação inadequada.
Como funcionará o novo modelo de avaliação?
A lei estabelece três etapas de avaliação para acompanhar o desenvolvimento do estudante ao longo do curso. A primeira ocorre no 2º ano, para identificar dificuldades iniciais; a segunda no 4º ano, antes do início do internato; e a terceira no 6º ano, funcionando como uma avaliação final de proficiência.
O desempenho para a obtenção do registro profissional levará em conta o resultado das três etapas, com maior peso para a avaliação realizada no último ano. O objetivo, segundo a médica, é permitir que as instituições corrijam a rota do aprendizado antes que o profissional inicie o atendimento à sociedade.
A nova exigência de aprovação será aplicada aos estudantes que ingressaram na graduação a partir de 19 de junho, data da publicação da medida provisória que originou a lei. Os alunos que já estavam matriculados antes desse período não precisarão cumprir a nova regra para obter o registro profissional.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o exame também terá efeitos sobre as instituições de ensino. Cursos com desempenho insatisfatório poderão enfrentar medidas como a redução de vagas, restrições à abertura de novas turmas e suspensão de processos seletivos, conforme as regras de supervisão vigentes.
