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Saúde

Infecções congênitas podem triplicar risco de autismo em crianças, aponta estudo

Pesquisa liderada por universidade sueca aponta que infecções transmitidas à gestante podem aumentar chances de autismo e deficiência intelectual.

Por Redação Diário Local

Infecções congênitas — aquelas em que um agente infeccioso é transmitido da mãe para o feto durante a gestação — podem triplicar o risco de uma criança desenvolver Transtorno do Espectro Autista (TEA) a longo prazo. A descoberta foi feita por uma pesquisa liderada pelo Instituto Karolinska, universidade sueca, com resultados publicados na revista JAMA Pediatrics nesta segunda-feira (22).

O estudo acompanhou registros de saúde e educação de 3,7 milhões de suecos nascidos entre 1987 e 2021. Entre os participantes, 975 foram diagnosticados com infecção congênita por TORCH, categoria que inclui citomegalovírus, rubéola, toxoplasmose, herpesvírus, além de sífilis, HIV, zika e hepatite B.

A análise estendeu-se por até três décadas para verificar o impacto dessas infecções no neurodesenvolvimento e no desempenho educacional. Os pesquisadores observaram que, embora os patógenos normalmente não atinjam o feto, em certas ocasiões eles podem atravessar a placenta e infectar o bebê.

Qual o impacto no risco de autismo e deficiência intelectual?

De acordo com os dados levantados, a prevalência de autismo entre crianças com infecção congênita por TORCH foi cerca de três vezes maior do que entre as não afetadas. O risco de diagnóstico para o TEA nível 1 foi mais de sete vezes superior, enquanto para os níveis 2 e 3 o aumento chegou a 30 vezes.

Quanto à deficiência intelectual, a probabilidade de diagnóstico foi mais de sete vezes maior. No nível individual, estima-se que uma em cada cinco crianças com essas infecções tenha chances de receber o diagnóstico de autismo no futuro.

Apesar da gravidade dos dados, os pesquisadores ressaltam que as infecções congênitas por TORCH são situações raras. Por esse motivo, elas representam apenas uma pequena proporção dos casos de autismo e outras condições do neurodesenvolvimento na população geral.

O que dizem os pesquisadores sobre a prevenção?

O principal autor do estudo, Hugo Sjöqvist, afirmou que a ligação com o autismo era menos clara em pesquisas anteriores, que costumavam se basear em grupos menores de pacientes. Segundo ele, o estudo é um dos mais abrangentes a investigar essa relação específica.

A pesquisadora Renée Gardner destacou que os resultados mostram a importância de prevenir infecções capazes de serem transmitidas ao feto. Ela pontuou que, embora essas infecções sejam raras, algumas podem ser evitadas, o que as torna relevantes para a saúde pública devido aos possíveis efeitos a longo prazo no desenvolvimento cerebral.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.