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Saúde

Mulheres negras e indígenas têm menos acesso à mamografia do que brancas e amarelas, aponta estudo

Pesquisa aponta que 71,9% de mulheres pretas, pardas e indígenas realizaram o exame, contra 82,2% de brancas e amarelas

Por Redação Diário Local

Mulheres negras e indígenas têm menos acesso a exames de mamografia no Brasil do que mulheres brancas e amarelas. Segundo pesquisa publicada na revista Ciência & Saúde Coletiva, apenas 71,9% das mulheres pretas, pardas e indígenas realizaram o procedimento pelo menos uma vez na vida, enquanto o índice entre mulheres brancas e amarelas com 50 anos ou mais chega a 82,2%.

O estudo utilizou dados da primeira onda do Estudo Longitudinal de Saúde do Idoso Brasileiro (ELSI-Brasil), que foram coletados entre 2015 e 2016. A análise revela que as disparidades no acesso ao exame de imagem estão diretamente ligadas a desigualdades socioeconômicas e de vulnerabilidade.

A economista Alana Ramos da Silva, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie e autora correspondente do estudo, afirma que os resultados mostram que a realização da mamografia não ocorre de maneira igualitária. Para a especialista, o cenário reflete as desigualdades nos serviços de saúde e sinaliza a necessidade de enfrentar barreiras de acesso para grupos vulneráveis.

A pesquisa avaliou diversos fatores para entender o acesso, como nível de escolaridade, estado civil e número de filhos. O ter um plano de saúde particular foi a característica de maior impacto, elevando em cerca de 12,9% a probabilidade de a mulher fazer o exame.

Outros fatores sociais também influenciaram os dados. O casamento aumentou a chance de realização em 6,9%, enquanto a maternidade apresentou uma redução de 1,6% na probabilidade para cada filho. A maior escolaridade também foi associada a um acesso mais frequente ao procedimento.

Os pesquisadores calcularam que, se as mulheres pretas, pardas e indígenas tivessem as mesmas condições socioeconômicas das brancas e amarelas, a probabilidade de realização do exame seria 5,9% maior. No entanto, mesmo com essa equidade, ainda haveria uma diferença de 4,3% não explicada pelas variáveis analisadas.

Por que a mamografia é essencial?

A mamografia é um exame de imagem que permite identificar nódulos mamários, inclusive aqueles ainda muito pequenos para serem sentidos pela palpação. O procedimento é considerado peça-chave para a detecção precoce do câncer de mama.

O oncologista Max Senna Mano, do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que a detecção precoce determina o prognóstico da doença. No estágio 1, as chances de cura superam 90%, enquanto no estágio 4 o quadro é praticamente incurável, com taxa de recuperação inferior a 10%.

Além disso, quanto menor o estágio da doença, mais brandos podem ser os tratamentos. Segundo o especialista, quando o diagnóstico ocorre nos estágios 2 e 3, a necessidade de quimioterapia ou radioterapia é praticamente inevitável.

O cenário epidemiológico no Brasil também é preocupante. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) projeta que, entre 2026 e 2028, o país registre aproximadamente 78.610 novos casos de câncer de mama todos os anos.

A patologia segue como a principal causa de mortalidade feminina por câncer no país. Em 2025, a taxa registrada foi de 12,58 mortes para cada 100 mil mulheres.

Quais são as recomendações de rastreio?

O Ministério da Saúde recomenda que o acompanhamento para o rastreamento do câncer de mama comece aos 40 anos, com repetições anuais ou bienais até os 70 anos. Em casos de alto risco, como histórico familiar ou alterações genéticas, o monitoramento deve ser precoce e especializado.

Para essas mulheres de alto risco, a recomendação é iniciar os exames antes dos 40 anos e repeti-los semestralmente. O protocolo comum envolve a alternância entre ressonância magnética e mamografia com ultrassonografia.

O acesso, contudo, enfrenta entraves práticos. Para mulheres em vulnerabilidade, a prevenção muitas vezes disputa prioridade com necessidades imediatas, como alimentação e transporte, além das dificuldades de agendamento e deslocamento até os serviços de saúde.

Para reduzir essas desigualdades, especialistas e o estudo indicam a necessidade de ampliar a oferta de exames, equipamentos e profissionais, especialmente em regiões afastadas dos grandes centros. O fortalecimento da atenção primária é apontado como fundamental para a orientação e o encaminhamento dessas pacientes.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.