Implante hormonal pode auxiliar no controle da endometriose e adenomiose
Método libera hormônio continuamente para reduzir fluxo menstrual e dores pélvicas, mas não cura as lesões das doenças.
Por Redação Diário Local
O uso do implante contraceptivo Implanon pode auxiliar no controle dos sintomas de endometriose e adenomiose. O método libera o hormônio etonogestrel de forma contínua, o que ajuda a reduzir o fluxo menstrual e a aliviar cólicas e dores pélvicas associadas a essas condições.
Embora o dispositivo possa proporcionar melhora na qualidade de vida para quem convive com sintomas intensos, ele não cura as patologias. O tratamento não elimina lesões anatômicas, fibroses ou aderências já existentes no organismo.
O ginecologista Thiers Soares, especialista em endometriose, adenomiose e miomas, destaca o potencial do dispositivo no manejo dos sintomas. Segundo o médico, a abordagem deve ser individualizada para cada paciente.
Como o implante age no organismo?
O Implanon é um implante colocado sob a pele do braço que libera o etonogestrel, um hormônio da classe dos progestagênios. Sua ação ocorre, principalmente, pela inibição da ovulação e pelo espessamento do muco cervical.
Além da função contraceptiva, o método pode modificar o padrão menstrual. Algumas mulheres apresentam redução do fluxo ou a interrupção completa da menstruação, o que ajuda no controle de sangramentos excessivos.
Essa alteração no ciclo menstrual é um dos mecanismos que contribuem para o alívio das dores pélvicas características da endometriose e da adenomiose.
Quais são os benefícios do método?
Entre os pontos positivos, destaca-se a praticidade, já que o implante dispensa a necessidade de tomar comprimidos diariamente. O método também oferece proteção contraceptiva por um período estendido.
O controle hormonal contínuo ajuda a mitigar sintomas que costumam prejudicar a rotina das pacientes. A redução das cólicas e do volume de sangue é vista como um benefício importante para a qualidade de vida.
O implante cura a endometriose?
Não. O implante pode controlar os sintomas, mas não realiza a cura das doenças. Ele também não tem a capacidade de dissolver lesões ou alterações físicas já instaladas.
Na endometriose, por exemplo, algumas pacientes possuem lesões profundas em diferentes regiões do corpo. Nesses casos, o tratamento hormonal ajuda a aliviar a dor, mas não remove as alterações clínicas.
Dependendo da gravidade do quadro e da resposta ao uso do implante, outras intervenções podem ser necessárias. Em situações específicas, a cirurgia pode entrar como uma alternativa de tratamento.
Quais são os possíveis efeitos colaterais?
O uso do dispositivo pode gerar reações que variam conforme a sensibilidade de cada mulher ao progestagênio. Nos primeiros meses de uso, é comum a ocorrência de escapes menstruais ou sangramentos irregulares.
Outras reações possíveis incluem acne, retenção de líquido e oscilações de humor. Por esse motivo, o acompanhamento ginecológico para monitorar a adaptação ao método é fundamental.
O método é indicado para quem planeja engravidar?
Por ser um método de longa duração, o Implanon pode não ser a escolha mais adequada para mulheres que pretendem engravidar no curto prazo. A decisão deve considerar os objetivos reprodutivos de cada paciente.
Apesar da longa duração, o implante é reversível e pode ser retirado por um profissional de saúde. O médico deve avaliar os sintomas, o histórico da paciente e os planos para uma futura gestação antes da indicação.
