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Saúde

SUS planeja priorizar pessoas vulneráveis na oferta de PrEP injetável

Caso o medicamento seja incorporado à rede pública, a estratégia visa atender quem enfrenta barreiras sociais para usar a versão em comprimidos.

Por Redação Diário Local

A oferta inicial da PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) injetável pelo Sistema Único de Saúde (SUS) deve priorizar pessoas em situação de maior vulnerabilidade ao HIV. A estratégia, detalhada em documentos da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) e do Ministério da Saúde, foca em quem enfrenta dificuldades sociais ou de acesso aos serviços de saúde para utilizar a versão em comprimidos.

O cabotegravir de longa duração recebeu recomendação preliminar favorável da Conitec no início de agosto. A perspectiva do governo não é substituir a PrEP oral, que já é oferecida pela rede pública, mas ampliar as opções de prevenção disponíveis para a população.

Como funcionará a aplicação?

O esquema de uso do medicamento começa com uma aplicação intramuscular, seguida de uma segunda dose um mês depois. Após esse período inicial, as aplicações de manutenção devem ser realizadas a cada dois meses.

O cabotegravir é um antirretroviral que atua bloqueando uma etapa necessária para a replicação do HIV, reduzindo o risco de infecção após a exposição ao vírus. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o medicamento para adultos e adolescentes acima de 12 anos, com peso mínimo de 35 kg e risco aumentado de adquirir a infecção.

Durante a avaliação, a Conitec considerou a população de pessoas sexualmente ativas a partir de 15 anos em contextos de vulnerabilidade. No entanto, os critérios definitivos de quem terá direito e como será a prioridade ainda dependem da conclusão do processo de incorporação e das regras de implementação.

Quais as vantagens da versão injetável?

A principal vantagem da formulação de longa duração é a redução da dependência da adesão diária. Em ensaios clínicos, o medicamento apresentou desempenho superior ao da PrEP oral. Uma metanálise citada pela Conitec apontou uma redução relativa global de aproximadamente 79% no risco de infecção.

A mudança no método de prevenção pode ser importante para quem tem rotinas que dificultam o uso diário ou enfrenta estigma associado ao uso de comprimidos. Por outro lado, o modelo exige que o paciente consiga retornar periodicamente à unidade de saúde para receber a dose, o que pode ser um desafio para populações com infraestrutura limitada.

É necessário que o usuário confirme que não vive com HIV antes de iniciar o tratamento e mantenha a testagem periódica. O acompanhamento é essencial, pois o medicamento pode permanecer no organismo por um ano ou mais após a última aplicação, de modo que atrasos ou interrupções podem comprometer a proteção.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.