Pesquisa da UFU desenvolve relógio com sensor para monitorar Parkinson em casa
Tecnologia desenvolvida pela Universidade Federal de Uberlândia permite acompanhar tremores e movimentos de pacientes em tempo real.
Por Redação Diário Local
Pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) desenvolveram sensores em formato de relógio capazes de monitorar, em tempo real, sintomas de pessoas com doença de Parkinson fora do ambiente hospitalar. A iniciativa, batizada de “Parkinson no Lar”, é a primeira no Brasil a utilizar esse tipo de equipamento para o acompanhamento de pacientes em domicílio.
O projeto é coordenado pelo Núcleo de Inovação e Avaliação de Tecnologias em Saúde (NIATS) e busca entender como a patologia afeta os pacientes durante as atividades de rotina. A tecnologia utiliza sensores acoplados ao acessório para identificar movimentos em três dimensões ao longo de várias horas do dia.
Os dados coletados ficam armazenados no próprio dispositivo e são analisados posteriormente pela equipe de pesquisadores. O objetivo é avaliar a capacidade motora e identificar padrões físicos da doença, como tremores, lentidão nos movimentos, alterações na caminhada e o nível de atividade física dos voluntários.
Por que o monitoramento domiciliar é importante?
Segundo a engenheira biomédica Ariana Moura Cabral, as consultas médicas presenciais nem sempre permitem avaliar a doença em sua totalidade. A especialista explica que o paciente pode estar estável no momento da consulta, o que não reflete necessariamente a realidade enfrentada no dia a dia.
A avaliação em casa permite captar variações naturais dos sintomas que ocorrem em resposta a fatores como alimentação, uso de medicação, estresse e atividade física. Com esse detalhamento, os profissionais de saúde conseguem compreender melhor a condição de cada indivíduo e identificar tratamentos mais precisos.
O formato de relógio de pulso foi escolhido para garantir o conforto e facilitar a adaptação dos usuários. O uso do acessório evita incômodos durante as atividades cotidianas, permitindo que o monitoramento ocorra de forma contínua e menos invasiva do que em um ambiente controlado.
Quem participa do estudo?
Atualmente, a pesquisa acompanha 14 voluntários, sendo 10 pessoas com diagnóstico de Parkinson e quatro que não possuem a doença. Entre os pacientes acompanhados, parte realiza o tratamento pela rede pública de saúde e a outra parte pela rede privada.
O estudo possui caráter colaborativo e conta com a participação de pesquisadores de estados como Rio de Janeiro, Pernambuco e Goiás, além de uma parceria com instituições da Espanha. A expectativa é que, no futuro, a tecnologia ajude a tornar o acompanhamento mais individualizado e possa ser implementada no Sistema Único de Saúde (SUS).
