FDA aprova remédio contra Parkinson com forma de atuação inédita no cérebro
Medicamento Juvmo atua de forma seletiva em receptores cerebrais e pode reduzir efeitos colaterais e aumentar a autonomia dos pacientes.
Por Redação Diário Local
A agência reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos (FDA) aprovou o tavapadon, novo medicamento para o tratamento de adultos com a doença de Parkinson. O fármaco, vendido sob o nome comercial Juvmo pela farmacêutica AbbVie, apresenta uma forma de atuação inédita no cérebro ao agir de maneira seletiva nos receptores de dopamina D1 e D5.
A doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa caracterizada pela perda progressiva de neurônios responsáveis pela produção de dopamina, substância fundamental para o controle dos movimentos. O novo comprimido busca atuar diretamente nos circuitos responsáveis pela realização dos movimentos, o que diferencia o tratamento das opções tradicionais disponíveis.
A principal diferença do tavapadon reside nos receptores onde ele atua. Enquanto a maioria dos medicamentos atuais foca nos receptores D2 e D3, a atuação nessas vias pode estar relacionada a efeitos adversos, como sonolência, tontura e distúrbios de controle de impulsos.
Já o novo remédio age nos receptores D1 e D5, que estão diretamente envolvidos na via de ativação dos movimentos. Segundo a neurologista Vanessa Loyola, essa seletividade é o ponto central da inovação do composto.
A neurocirurgiã Adriana Libório, integrante da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), destaca que a nova forma de atuação pode trazer vantagens na duração do controle dos sintomas. A expectativa técnica é de que o efeito seja mais rápido e dure, em média, uma ou duas horas a mais do que as terapias atuais.
O medicamento pode auxiliar na melhora de sintomas motores como tremor, rigidez e lentidão. Para o neurologista Daniel Escobar, o controle desses sintomas pode refletir diretamente na autonomia dos pacientes durante as atividades diárias.
O uso é feito via oral, por meio de um único comprimido administrado uma vez ao dia. O tratamento pode ser utilizado de forma isolada ou em associação com a levodopa, dependendo da fase da doença e da resposta clínica de cada paciente.
A administração diária única é vista como um fator que pode aumentar a adesão ao tratamento. De acordo com o neurologista Raphael Doyle, do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), o modelo simplifica a rotina, já que pacientes com Parkinson frequentemente precisam tomar vários medicamentos em horários distintos.
O tavapadon deve chegar às farmácias dos Estados Unidos ainda neste mês. No entanto, não há previsão de aprovação para o uso da medicação no Brasil.
