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Saúde

Surto de Ebola no Congo atinge 10 mil casos e é o mais rápido da história

Doença causada pelo vírus Bundibugyo é o surto de crescimento mais rápido do mundo e registra alta mortalidade no país.

Por Redação Diário Local

O surto de Ebola no Congo atingiu a marca de 10.060 casos confirmados, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde do país nesta terça-feira (27). O episódio é considerado o de crescimento mais rápido da história da doença e o mais letal já registrado no território congolês.

A epidemia é causada pelo vírus Bundibugyo, para o qual ainda não há vacinas ou tratamentos aprovados. De acordo com as autoridades de saúde, quase metade das pessoas que receberam o diagnóstico de Ebola morreu desde o início do surto, que foi declarado em maio.

A disseminação da doença é agravada por uma série de obstáculos logísticos e sociais. Equipes de resposta enfrentam conflitos armados, estradas em más condições e resistência de moradores, alimentada por desinformação e desconfiança. Em alguns casos, profissionais de saúde têm sido alvo de ataques violentos; no último sábado (25), um enfermeiro foi morto durante um atendimento na província de Tshopo.

Por que o controle do surto é difícil?

Um dos principais desafios para conter a propagação é a identificação dos contatos. Segundo o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África), cerca de 80% dos novos casos registrados estão fora do grupo de contatos monitorados pelas autoridades, o que revela a existência de cadeias de transmissão desconhecidas.

Para que o surto seja considerado sob controle, o CDC África afirma que pelo menos 95% dos casos deveriam estar entre contatos conhecidos. Além disso, a falta de registro imediato de sintomas dificulta o isolamento, e metade das mortes registradas ocorreu entre pessoas que não chegaram a ser internadas em centros de tratamento.

A situação é agravada por crises internas, como greves de profissionais de saúde por atrasos em pagamentos de bônus e a sobrecarga de centros de tratamento, que já operam no limite em diversas comunidades.

Impactos além da doença

O avanço do Ebola tem prejudicado outros serviços essenciais no Congo, como a vacinação infantil e o combate a outros surtos, como o de cólera. A crise de saúde também impactou a educação, com a interrupção de aulas em regiões afetadas.

O medo da infecção e do isolamento tem levado muitas mulheres grávidas a evitarem hospitais, o que resultou na dobra da mortalidade materna em algumas províncias. O cenário de instabilidade tem causado impactos profundos na subsistência de populações que já enfrentavam condições precárias de vida.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.