Vacina contra vírus respiratório no SUS protege bebês contra doenças graves nos primeiros meses
Imunizante aplicado na gestação transfere anticorpos para o recém-nascido, reduzindo riscos de internação por bronquiolite e pneumonia.
Por Redação Diário Local
A vacinação de gestantes contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) oferece proteção para recém-nascidos nos primeiros meses de vida por meio da transferência de anticorpos da mãe para o bebê. O imunizante, que foi incorporado ao Calendário Nacional de Vacinação da Gestante em dezembro de 2025, atua como um escudo contra formas graves de doenças respiratórias.
A estratégia baseia-se na imunização passiva. Durante a gestação, a aplicação da vacina estimula o organismo materno a produzir imunoglobulinas (IgG) específicas. Esses anticorpos atravessam a placenta e chegam ao bebê, proporcionando defesa justamente na fase de maior imaturidade imunológica do recém-nascido.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria, o VSR é a principal causa de infecções do trato respiratório inferior (ITRI) em crianças menores de 2 anos. O vírus pode responder por cerca de 75% dos casos de bronquiolite viral aguda e 40% das pneumonias durante períodos de sazonalidade.
Como funciona a proteção para o bebê?
A concentração de anticorpos protetores no cordão umbilical pode chegar a ser de 1,4 a 2,1 vezes maior do que no sangue da própria mãe. Esse processo utiliza receptores específicos na placenta que atingem o pico de expressão a partir da 28ª semana de gestação.
A eficácia da medida foi demonstrada pelo estudo MATISSE, um ensaio clínico realizado em 18 países. Os resultados indicaram que o imunizante reduziu em 81,8% o risco de doença grave do trato respiratório inferior associada ao VSR entre os bebês nos primeiros 90 dias de vida.
A proteção também se mostrou significativa até os 180 dias de vida, com uma redução de 69,4% nos casos registrados. O estudo apontou ainda um perfil de segurança favorável tanto para as gestantes quanto para os bebês acompanhados até os 2 anos.
Quais os cuidados com o período de vacinação?
No Brasil, a recomendação para a aplicação da vacina contra o VSR é que ocorra entre a 28ª e a 36ª semana de gravidez. É fundamental respeitar um intervalo de pelo menos 14 dias entre a aplicação e o parto para que a transferência de anticorpos via placenta seja concluída com sucesso.
Caso o bebê nasça antes desse prazo de 14 dias, poderá ser necessária a aplicação de anticorpos monoclonais diretamente no recém-nascido para garantir a proteção. A principal contraindicação ao imunizante é o histórico de reação alérgica aguda após uma dose anterior da própria vacina.
A vacinação contra o VSR faz parte de um calendário de proteção para gestantes que já inclui outros imunizantes, como a dTpa (Tríplice bacteriana acelular), a vacina contra a Influenza (gripe), Covid-19 e Hepatite B. A coadministração com outras vacinas é segura e recomendada pelos profissionais de saúde.
Procure avaliação médica.
