Diabetes torna recuperação de pacientes com covid longa mais lenta e aumenta riscos
Estudo da USP aponta que pacientes com diabetes apresentam mais complicações cardiovasculares e menor qualidade de vida após a infecção.
Por Redação Diário Local
Pacientes com diabetes que tiveram covid-19 apresentam uma recuperação mais lenta e maior risco de complicações associadas à covid longa, segundo estudo conduzido pela Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa aponta que esse grupo enfrenta uma queda na qualidade de vida e necessita de acompanhamento médico mais atento e prolongado.
O estudo acompanhou 870 pessoas por um período de até sete meses após a internação hospitalar. Os dados revelam que o diabetes atua como um elemento que prolonga o tempo de recuperação e pode comprometer a autonomia diária dos sobreviventes do vírus SARS-CoV-2.
De acordo com Maria Elizabeth Rossi da Silva, chefe da Unidade de Diabetes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FM-USP), o diabetes é um fator que vai além da fase aguda da doença, sendo um componente que agrava o cenário a longo prazo.
Quais são os principais riscos para diabéticos?
A pesquisa constatou um risco maior de complicações cardiovasculares, como angina e infarto, em pacientes com diabetes quando comparados aos não diabéticos. Além disso, sete meses após a alta hospitalar, o grupo com a doença apresentou níveis mais elevados de fragilidade e maior incidência de quedas.
No que diz respeito à mobilidade, 21,1% dos pacientes diabéticos relataram quedas após a alta, número que é quase o dobro dos 11,1% registrados no grupo sem a doença. O estudo também observou dificuldades em atividades cotidianas e desempenho inferior nos domínios físico e cognitivo.
A pesquisadora explica que a inflamação sistêmica provocada pelo diabetes se soma à toxicidade do vírus, tornando o coração um dos principais alvos de complicações graves. O risco é potencializado conforme o número de comorbidades do paciente aumenta.
O que o estudo revelou sobre a recuperação?
A diferença nos índices de recuperação plena é considerada considerável. Enquanto 94,3% dos pacientes sem diabetes relataram retorno total à saúde, o índice entre aqueles com diabetes foi de 89,8%.
O tempo de internação também foi maior entre os indivíduos com diabetes, registrando uma média de 16 dias, contra 13 dias para o grupo sem a doença. Essa combinação de metabolismo alterado e tempo de hospitalização gera um ciclo de perda de massa muscular e vulnerabilidade.
O trabalho, que contou com a participação de 320 pacientes com diabetes e 550 sem a doença, integra um projeto maior apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O estudo continua analisando os dados dos pacientes internados no Hospital das Clínicas para entender os impactos da covid-19 ao longo de três anos.
